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Velhos erros de concepção
Velhos erros de concepção

Data: 05/02/2018

Na vitória sobre o Macaé, no último sábado em Los Larios, em evento cuja a arrecadação não chegou aos 13 mil reais, com pouco mais de 500 pagantes, torna-se imprescindível fazer uma ampla reflexão sobre o futebol apresentado pelo Fluminense nestes primeiros oito jogos do ano, nos quais obtivemos 3 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, além de uma participação medíocre na Florida Cup e a não classificação para as semifinais da Taça Guanabara.

Em uma primeira análise, o nosso time é inexpressivo, assim como todo o elenco. Faltam figuras de peso que possam chamar para si as responsabilidades necessárias para decidir jogos e campeonatos.

A verdade é clara: se dentro do campo os custos baixaram em virtude dos altíssimos e infrutíferos salários que deixaram de ser pagos, o mesmo não podemos dizer do extracampo, de tudo o que flutua nos bastidores. Muito dinheiro, muito cargo, para uma produção abaixo do normal, que seria o mínimo aceitável.

Reclamar de heranças recebidas e não tomar as medidas corretas para consertá-las em TODOS os seguimentos é fazer a opção pelo cobertor curto.

Mas este Observatório do Fluminense tem a obrigação de ir além e o faz através de perguntas:

A opção por disputar a Florida Cup foi uma decisão compactuada com o Departamento de Futebol, com a Comissão Técnica ou foi tomada unilateralmente?

Por que o Fluminense não peitou a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro com relação à mudança do horário do jogo contra o Boavista, pela 1ª rodada da Taça Guanabara? Existem profissionais regiamente pagos para isso, entre outras coisas? Por que o Fluminense não teve peito para dizer à Rede Globo que não disputaria o jogo nesse horário?

Por que a direção do Fluminense não cumpriu o roteiro traçado quanto às dispensas dos jogadores com contrato? Por que não cumpriram os passos determinados? Por que teve gente sendo comunicada por Whatsapp?

Por que a direção do Fluminense, mesmo alertada, fez a opção de não depositar o FGTS do atleta Gustavo Scarpa?

Por que o Fluminense não peitou o ex-jogador Wendel que teimou em ir para o Sporting de Lisboa, quando a proposta do CSKA era melhor e com o pagamento à vista?

Por que o Fluminense aceitou 1 milhão de reais pelos 50% do passe do Diego Souza? Será que algum dirigente do Fluminense pensa que o atleta, que mesmo com 32 anos e com passagens pela seleção brasileira, realmente tem esse valor? Será que os dirigentes do Fluminense conseguem adquirir um jogador com as mesmas características físicas e técnicas por 2 milhões de reais?

Quais foram os parâmetros para a contratação do lateral direito Gilberto e para a renovação do empréstimo do lateral esquerdo Marlon?

Quem decidiu renovar os contratos de jogadores como Peu, Leonel, Fernando Neto, entre outros?

Temos que admitir que não estamos de acordo com o direcionamento dado ao Departamento de Futebol e disso excluímos o Vice-Presidente, Fabiano Camargo, que acaba de chegar. Mas o Presidente Pedro Abad tem que mudar a sua postura com relação ao que está acontecendo.  Era dele o discurso, no início do ano passado, de que o Fluminense não deveria ficar na mão de uma só pessoa, em alusão clara ao modus operandi do antigo gestor.

Infelizmente o tempo está dizendo outra coisa, nos levando em outra direção.

E somos obrigados a ir além...

Até hoje os Conselheiros, os sócios e os torcedores não sabem a resultante do trabalho realizado pela Ernst & Young. Por quê?

Até hoje TODA a torcida do Fluminense reclama da baixíssima qualidade do seu Departamento de Comunicação e do despreparo de quem o conduz. Isso sem falar no inchaço em contratações, com consequente aumento dos erros gritantes que, além de manchar a imagem do clube, tornaram-se motivo de chacota interclubes. A defesa Institucional, quando existiu, ou foi tímida ou foi fora de hora e insossa. Por que ele insiste com esses profissionais e seus decrépitos formatos?

Sem esquecer que os profissionais contratados para as áreas de administração e social já mostraram o seu despreparo e o seu desinteresse com relação ao clube, que se encontra abandonado, com o parque aquático caindo aos pedaços, colocando em risco a integridade física de atletas e sócios (como já aconteceu), tomando decisões arbitrárias e deselegantes com relação aos controles de acesso, premiando o despreparo e a preguiça em prol do treinamento e do bem servir. Na definição correta são daqueles que cumprem os horários, adeptos de reuniões infindáveis, tratam os sócios com desdém (vide as respostas e atuações da Ouvidoria) e adoram o ar-condicionado.

E o CEO? Qual é realmente o seu papel? Será que tem o perfil desejado para um clube de futebol? Pelo visto, apesar de ser uma pessoa muito inteligente e preparada, não quer aprender e/ou entender o real significado do alcance do Fluminense.

Este Observatório do Fluminense, que representa boa parte dos Conselheiros do clube, não é oportunista. Simplesmente realista. O momento correto de se dizer publicamente o nosso sentimento é este. Olho no olho. Há 4 anos lutamos, todos os dias, pela transformação do Fluminense na busca pelo caminho da sua perenidade.

O fato de apoiar a gestão até o momento não significa fechar os olhos com relação ao que está acontecendo. Não será pela razão da existência de uma oposição circense que o Observatório do Fluminense comungará com o que está falho.

Da mesma forma que em seu dia dissemos que lutaríamos contra os oportunistas que almejavam o poder, não será por termos apoiado a eleição da atual gestão que seremos coniventes com os erros cometidos.

Ainda há tempo para as mudanças e elas têm que ser imediatas. No futebol, com esse atual elenco, corremos um sério risco no Campeonato Brasileiro. Remédios posteriores podem não causar os efeitos desejados.

A este Observatório do Fluminense preocupa, e muito, a atual solidão do Presidente Pedro Abad. Ou ele entende que precisa e deve mudar, ou novas noites “30 de janeiro de 2018” poderão acontecer. A nossa torcida se traduz em um verdadeiro barril de pólvora.

O Fluminense está sem estádio para jogos de menor porte porque quer. Com o dinheiro que gastou nos últimos anos em reformas de Edson Passos, ou pagando para jogar em Los Larios e Volta Redonda, certamente teria deixado as Laranjeiras preparada para esse tipo de partida.  Quem tem a geladeira vazia não pode sonhar com caviar, tem que e deve calçar as sandálias da humildade.

O Observatório do Fluminense teve que subir o tom, e o faz com a cara limpa, sem máscaras, sem mentiras. A torcida do Fluminense merece a nossa sinceridade.

O Observatório do Fluminense continua observando!

 

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