HOME|EDITORIAL|Farelos & Migalhas
Farelos & Migalhas
Farelos & Migalhas

Data: 09/08/2018

O momento financeiro do Fluminense reflete em si uma das mais caóticas crises que o clube já viveu. Parece muito com o período vivido entre o final de 1997 e agosto de 1998. Pedro Abad tem muito de Álvaro Barcellos. Sem transparência, sem cumprir acordos, sem respeito à palavra, um onipresente monocrático.

O caixa do clube literalmente vazio, limpo, com a conta sendo zerada todos os dias, não pode ficar nada para o dia seguinte porque pode ir para a penhora. Quaisquer R$ 300,00 (trezentos reais) fazem diferença. E que diferença!

A gestão Abad nada produz, não tem poder de captação, é básica, horizontes finitos de um piscar de olhos que nada vê além do próprio nariz. É capenga em ambas as pernas, limitada que é quando o assunto é gestão.

Com isso, o Departamento Financeiro não pode planejar e se transforma numa antiga Autenticadora Burroughs 1010 (em desuso há 35 anos). Assim sendo, as Finanças do Fluminense voltam ao tempo da máquina manual de escrever, onde qualquer informação era passada a lápis para uma ficha de cartolina.

O Fluminense está à beira de um colapso total, com o agravante de que nada é feito. Ao contrário, os problemas aumentam. Basta ver o último, o da Valle Express. E esse não foi por falta de aviso. Muito pelo contrário. O Presidente Pedro Abad admitiu, na penúltima reunião do Conselho Deliberativo, que decidiu, ele e alguns membros do Conselho Diretor, entre eles o Vice-Presidente Comercial, Ronaldo Barcellos, que fez ouvidos surdos aos alertas do ex Vice-Presidente de Interesses Legais, Miguel Pachá, que então alertou para a sua não conformidade para o contrato do então futuro patrocínio máster. Não obstante para os alertas posteriores produzidos pelo próprio Departamento Financeiro.

Pouco caso com as informações recebidas, estilo de gerir de um comando inepto. Nada muda, nada vai mudar enquanto à frente inóquo, ineficaz.

E nesse diapasão, o Departamento de Futebol continua contratando as migalhas que lhe são oferecidas. Com o Peter Siemsen em 2016 foram Danilinho, Dudu, Felipe Amorim, Rojas, Aquino, entre outros. Já em 2018 começamos falando de um 4º goleiro, o Uruguaio Amores, que vem atrás de Júlio César, Rodolfo e Marcos Felipe, mas cujo salário supera os 110 mil reais por mês. Por último Junior Dutra, Luciano, Everaldo, Luan, Nathan e, agora, o Paulo Ricardo.

A verdade é que estão dilapidando, dia a dia, os cofres já muito combalidos do clube e essa espiral leva anos povoando o Fluminense.

O que fazem o Marcelo Teixeira, o Marcel Gianecchini e o Fernando Simone no Fluminense? De quem recebem as diretrizes de trabalho? Existe a figura do Vice-Presidente de Futebol ou é o mandatário quem determina os passos e as escolhas?

Tudo muito esquisito, sem transparência.

Infelizmente, mesmo sabendo que dói admitir, só nos resta torcer para que o Fluminense consiga se manter na série A do Campeonato Brasileiro. De antemão é sabido que 2019 se desenha da pior forma.

E os funcionários não políticos? Apesar de serem os mais preparados, hoje têm motivação zero, o telefone que não para de tocar é igual a muitas cobranças. O dia a dia devora, corrói.

Por momentos somente no sonho da chegada de um Midas ao clube, desses que permitam ao Fluminense voltar a sonhar.

Mas a foto real diz o contrário: nem planejamento, nem planejando. Comparando com o 1º turno do ano passado, a atual campanha ainda é inferior.

O nosso elenco é limitado, carece de uma série de fatores que não permitem sonhar alto. Em condições normais de temperatura e pressão, tende a oscilar. Mas se aliarmos a isso os constantes atrasos de salário (CLT e/ou Imagem), sem perspectivas. Num diálogo fictício, o responsável pelo Futebol liga para o Financeiro e pergunta qual é a previsão para os salários: “Não tem previsão” recebe como resposta.

No Departamento Financeiro do Fluminense se vive um dia depois do outro. Pode pingar um dinheiro hoje e se acerta parte, mas pode também não pintar... Largados ao destino, é óbvio que esse enredo afeta dentro de campo.

A imagem do que vem ocorrendo é calamitosa. O Fluminense está à beira de perder o PROFUT, tem duas parcelas de atraso, sempre esticando para pagar uma antes que vire a terceira para não ser excluído, além de uma grande quantidade de tributos em atraso.

Com relação ao pagamento desses tributos em atraso se está tentando outra grande operação com a TV Globo, cuja totalidade de entrada de recursos será somente para este fim.

Mas isso resolve o problema? Ameniza. Nada além disso, porque o clube continua sem receita compatível com a elevada despesa que tem, o que lhe levará a atrasar novamente o pagamento aos futuros tributos. Daqui há um ano tem que pagar outros 30 e tantos milhões...

O Unido e Forte em seu dia tentou cortar o mal pela raiz e Abad não deixou. Simples assim. O mandatário também preferiu desfazer o que a Ernst & Young propôs. Tudo em nome de uma cega estabilidade política, onde os feudos colocam os seus objetivos pessoais á frente do que realmente interessa ao futuro do Fluminense.

Assim fica difícil, impossível de equilibrar o clube. O caminho será o de sempre: pegar de qualquer maneira, a quem quer que seja, com um custo altíssimo, um empréstimo salvador, inclusive para que o Presidente não se submeta às penalidades da lei.

E daqui para a frente como se resolve? Com Valle Express, com Dry Word II?

Esse é o grande problema do Fluminense: o patamar de receitas é pífio. A Vice-Presidência Comercial que está a ponto de completar um ano de existência já demonstrou o que é: mais do mesmo.

Este Observatório do Fluminense continuará, sempre dentro da sua linha Editorial, na defesa dos interesses do Fluminense e na luta pela sua perenidade.

Este Observatório do Fluminense adverte sobre possíveis transações de jogadores oriundos da nossa base por valores inferiores ao mercado.

Nós aqui não terceirizamos culpas, nem desculpas.

O Observatório do Fluminense continua, em alerta, observando.

 

Compartilhe
  • Googlemais
comente
©2017 OBSERVATÓRIO DO FLUMINENSE
Os Woden