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Um brinde pela vitória...
Um brinde pela vitória...

Data: 21/09/2018

Uma grande vitória!  Assim começa o Editorial do Observatório do Fluminense no dia de hoje.  Apesar de que a nossa torcida sabia de antemão o quão débil era o time do Deportivo Cuenca, haviam indícios de que seria um jogo complicado.  A sempre temida altitude e os problemas de atraso salarial para com os jogadores (em realidade, para com todos os funcionários de clube) serviam como sinais negativos que nos faziam temer o resultado final.

Felizmente não foi assim.  Apesar da ameaça de greve por parte do elenco, que já não aguenta mais as falsas promessas e as mentiras do Presidente Pedro Abad, além de que o mesmo não deixou claro o “quando” quitaria o débito existente (ou parte dele), nossos jogadores foram 100% profissionais e merecem o reconhecimento dos nossos torcedores.

O Marcelo Oliveira de ontem foi menos professor entendendo que diante da fragilidade e falta de qualidade do plantel Tricolor, o correto seria atuar com 3 zagueiros, num 3-5-2, onde pudesse dar mais tranquilidade para a participação ofensiva dos nossos laterais.

Os equatorianos praticamente, na base da correria (pois tecnicamente não existem), somente deram trabalho nos primeiros 15 minutos, tanto no 1º tempo, como na 2ª parte.  O Fluminense resistiu a essas investidas equilibrando em seguida, subindo a nossa pressão sobre o adversário nos momentos exatos, marcando ambos os gols, de bela fatura, em jogadas de contra-ataque.

Alguns jogadores se destacaram com atuações para lá de corretas: Julio Cesar, Ibañez, Ayrton Lucas, Luciano e Everaldo foram perfeitos.  O restante cumpriu, apesar das muitas falhas de posicionamento e de marcação do Gum e do Digão, que foram os atletas que estiveram abaixo do seu melhor nível.

Agora é preciso voltar a se concentrar no Campeonato Brasileiro, sabendo que a nossa próxima partida será fora de casa, na próxima segunda-feira, contra  a sempre difícil Chapecoense.  O Fluminense necessita vencer para começar definitivamente a sonhar com voos mais altos dentro do próprio Brasileirão. O quanto antes se alcance a cifra mínima necessária para a permanência na Série A, maior serão as possibilidades de lutarmos por objetivos maiores, mesmo sabendo este Observatório do Fluminense da fragilidade do nosso elenco, assim como da inabilidade gerencial e da falta de planejamento tanto do Vice Presidente de Futebol, Fabiano Camargo e do Presidente Pedro Abad.

Por outro lado, cabe ressaltar que, finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno, a reunião para a aprovação, ou não, das contas referentes a 2017 foi convocada para o próximo dia 9 de outubro.

Os números são alarmantes.  E isso que se referem ao dia 31 de dezembro de 2017. De lá para cá, diante da falta de inteligência aumentou.  A simples vista:

•    O passivo circulante (a pagar nos próximos 12 meses)  era de  238 milhões  de reais;
•    já o ativo circulante (a receber nos próximos 12 meses)  era de  50 milhões de reais;
•    as dívidas a longo prazo eram de  415 milhões de reais;
•    enquanto o ativo a largo prazo  -  33 milhões.

De uma forma simplista podemos dizer que no final de 2017 o Fluminense devia R$ 643.000.000,00 (seiscentos e quarenta e três milhões de reais) e tinha para receber R$ 83.000.000,00 (oitenta e três milhões de reais).  Isso significa que o abismo financeiro em que vive o clube é de R$ 560.000.000,00 (quinhentos e sessenta milhões de reais).

São números assustadores.  Que contradizem o discurso oficial que nasceu no final de 2010 com a chegada do ex-Presidente Peter Siemsen ao poder, com o apoio incondicional da Flusócio, com a posterior chegada do Pedro Abad ao cargo de mandatário.

Então era fácil culpar as gestões anteriores.  E hoje o que se vê?

Falta absoluta de qualquer indício de austeridade, aumento substancial dos gastos administrativos, contratações de cunho político numa espécie de “ação entre amigos” ou “amigos dos amigos”, um futebol sem prévio planejamento, com contratações absurdos, um clube vazio como se tratasse de uma cidade fantasma de filmes de faroeste classe D tipo pastelão italiano.

O Conselho Fiscal preferiu não se molhar. Por momentos faz cobranças, em outros coloca a culpa em gestões anteriores, mas não consegue (ou não quer) enquadrar ao Pedro Abad.  Prefere soprar. Muita ventania para nenhuma mordida mais contundente. Prefere se vestir com a letra fria do Estatuto do que mergulhar em águas mais profundas e que tiram a roupa da mediocridade e hipocrisia reinantes.

O Conselho Deliberativo tem muito o que falar e cobrar.  Não pode se abster por razões políticas de uma análise mais profunda.  De saída, uma vez que as contas de 2016 foram retificadas, as mesmas têm que ser reabertas.  Doa a quem doer, ainda mais que o Presidente Pedro Abad era o Presidente do Conselho Fiscal no triênio 2014/2016 e como tal merece ser responsabilizado.  No mínimo se portou como um inapto conivente.  Não pode, nem deve existir nenhuma outra leitura.  Esteve corroborando com os desmandos e devaneios do Peter Siemsen, assim como permitiu que o mesmo fosse o seu maior cabo eleitoral.

Portanto, que agora queira lavar as mãos, assim como a Flusócio, dizendo que foram enganados, não passa de um autêntico conto da carochinha.

Cabe à torcida do Fluminense sair da sua inércia.  O Fluminense não pode ter donos. Menos ainda gente inconsequente dirigindo os caminhos do clube de cara a um futuro cada vez mais incerto

Não obstante, o Presidente do Conselho Deliberativo, Fernando Cesar Leite, visto o que aconteceu no ano passado (então sob a presidência do Conselheiro José Guisard), sabe como deverá se portar no próximo dia 9 de outubro, antevendo que a insatisfação atual é maior que a de então.

Temendo pela saúde financeira do Fluminense e sabendo que a atual gestão é incapaz de arrecadar nenhuma cifra relevante a não ser com a venda dos direitos econômicos dos atletas, este Observatório do Fluminense, mantendo a sua transparência, observa.

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