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    Sergio Neves convenceu Adão a usar folha de "Parreira" e a torcer pelo Fluminense. É Advogado e Procurador do Estado, já tendo exercido o cargo de Procurador Geral do Estado do RJ. É Doutor PhD em Direito Econômico e Socioambiental pela PUC-PR.
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em foco • Por Sergio Neves • 27 jul 2015
O acaso! Cadê o acaso? (por Sergio Neves - “O Comentário de Mário. O tricolor”)
Jean e Wellington Silva realizam a marcação em cima de um jogador da Chapecoense

Meus amigos tricolores,

Atravessou a rua sem olhar, em mão dupla, os carros passaram sem lhe tocar. Em casa, um bebê chega à piscina, o cachorro esbarra, ele cai, por sorte, sobre um colchão e boia, tempo bastante para a mãe dar por sua falta e resgatá-lo cheio de vida.

Numa última crônica, comentei o fim da Eurico’s League, vulgo Campeonato Carioca, torneio de cartas marcadas e de propriedade registrada em cartório. Impossível avaliar-se uma equipe pelos resultados num campeonato no qual nem o mérito, nem a sorte ou o azar contam.

Antes de escrever qualquer coisa que fosse efusiva ou injusta, preferi aguardar o desenrolar do Campeonato Brasileiro. Quinze rodadas foram disputadas e nosso Fluminense já esteve pelo meio da tabela, passeou pelo G4 e, por uma simples vitória contra o fraco Vasco, esteve por ser o líder. Enfim, está num sétimo lugar após duas derrotas seguidas para aquele timeco e para o Chapecó, numa partida que, na dúvida, o árbitro conseguiu a façanha de voltar atrás duas vezes contra o Fluminense. Estamos com 27 pontos, a cinco pontos do líder Atlético-MG e 14 à frente do primeiro clube na ZR.

Duas vitórias chamaram a atenção: Goiás e Atlético-PR fora de casa. O grupo mostrou que está fechado e que deseja cumprir uma meta de vitória. A derrota para o Vasco, por outro lado, mostrou que esse ímpeto de vitória por vezes não se apresenta ou pode ser superado com facilidade por um clube fraco.

Ou seja, por mais que queiramos, não é time para conquistar título. Se essa inconstância se mantiver, podemos tanto ter a boa surpresa de uma vaga na Libertadores como ficar no remanso insosso de um décimo lugar.

A Diretoria trouxe Osvaldo e Ronaldinho Gaúcho como reforços de peso. O perigo é a inocência. Osvaldo precisa de tempo para sabermos se repetirá suas atuações no São Paulo, mas é uma boa aposta. Ronaldinho é outra história. É marketing, captação de clientela e maior visibilidade para a marca Fluminense dentro e fora do país. Seu custo, para o Flu, é inferior ao de Wagner diante da composição que foi feita.

Aquele grupo fechado, porém, sofreu impactos. Coincidência ou não, perdemos duas partidas seguidas após essas contratações. Não jogamos mal, mas fomos superados. Mas, vamos lá, contra o Vasco, houve festa fora de hora e, contra o Chapecoense, até jogamos bem, mas fomos driblados pela arbitragem. Diria que, em ambos, padecemos por falta de maturidade de nossa gestão de futebol.

No domingo, fizemos a primeira de seis partidas consecutivas contra equipes do sul do país. São três pontos em disputa com o Grêmio, que é adversário direto, e outros doze contra equipes que vão mal no campeonato e que perceberam que o Fluminense é vulnerável.

O quê nos levou tão de repente à ponta da tabela? O quê nos faz descer ao meio dessa tabela em duas rodadas? Qualquer dirigente esperto quer capitalizar o sucesso e imputar a outros o fracasso. O honesto assume a responsabilidade. Qual será a opção de nossos dirigentes? Temos 23 rodadas e 69 pontos a disputar. Tudo pode acontecer. Espero que retomem a cautela e se acautelem contra festas fora de hora e contra arbitragens marotas. O grupo tem de retornar ao momento das vitórias sobre Goiás a Atlético-PR.

Gerir futebol não é comemorar vitórias ao acaso. O time não é consistente, oscila e não conta com um elenco grande e equilibrado. Estamos a atravessar uma rua sem olhar e deixamos o bebê chegar à piscina sem cuidar. Não é sempre que haverá uma boia para nos salvar. Em 2015, queremos um título e não um epitáfio. No momento, como na música Epitáfio de Sérgio Britto, cantada pelos Titãs, o acaso protegeu-nos enquanto andamos distraídos. Lá se foram Vinícius e Giovanni, dois gratos acasos, que não temos como repor.

E lá ia eu, quando, por acaso, encontrei o Mário. Disse-me que não estava muito bem. Brigara com a esposa.

- Meu irmão, tomei o lado direito da cama para eu dormir. Ela disse que dormira ali por 25 anos e tinha direito adquirido ao lado.

- E aí? Você devolveu?

- Não e estou sem sexo há mais de mês.

- O que você ganha com isso?

- Nada, mas estava de férias e não tinha coisa melhor pra fazer. Além do mais, criei um assunto pra ela se distrair, uma cortina de fumaça, e nem perceberam que fiz umas artes por aí.

- E agora?

- Agora é parar com essa bobagem e voltar a trabalhar se preocupando com coisa séria pra voltar a ter prazer.

Pois é! Ou seremos sérios no trabalho do futebol ou vamos contar sempre com o acaso.

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