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    Sergio Neves
    Sergio Neves convenceu Adão a usar folha de "Parreira" e a torcer pelo Fluminense. É Advogado e Procurador do Estado, já tendo exercido o cargo de Procurador Geral do Estado do RJ. É Doutor PhD em Direito Econômico e Socioambiental pela PUC-PR.
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em foco • Por Sergio Neves • 31 ago 2015
Do golpe do doente imaginário à morte do futebol tricolor (por Sergio Neves – “O amigo do Mario”)
Ronaldinho Gaúcho abre os braços durante a partida de ontem contra o Galo

Primeira parte: Recordar é viver, Assis renasceu com você.

Meus amigos tricolores,

Que saudades da UNIMED! Esperem... isso é muito pobre. Que tal viajar mais no tempo? Que saudades de Nílson Matos, Newton Graúna, Tadeu e da época em que, sem recursos, tínhamos homens que conheciam futebol na Diretoria de Futebol. Vocês sabem quem montou o time do Fluminense em 83 e 84, que nos deu um título brasileiro e um tricampeonato Carioca? Sabiam que tínhamos até um treinador naquela época? Desnecessário comparar Celso Barros com esses nomes. Com a décima parte do volume de dinheiro da UNIMED, esses homens teriam fundado um Barcelona tropical. Perguntemos ao próprio Newton Graúna como estava o Flu no começo de 1983.

- Seu Newton, o que ajudou o Flu?

- A campanha “SOS Flu” entre abril e junho foi o ponto de partida. Moveu os brios dos associados, desde um garoto, torcedor do Flu em Laguna (SC), que queria me entregar 2.000 Cruzeiros a todo custo, até a ajuda efetiva de sócios influentes como Manoel Schwartz e Edgar Hargreaves, que abriram portas para o Fluminense.

- Quanto e como o Flu conseguiu arrecadar de dinheiro para quitar suas dívidas e montar um time, já que estava perto de um estado falimentar no futebol?

- Conseguimos um empréstimo de 200 milhões de Cruzeiros. Pagamos salários e bichos atrasados, sendo que usamos 130 milhões para trazer Assis e Washington. Instituímos uma contribuição espontânea de 60.000 Cruzeiros, que foi muito bem aceita pelos sócios.

- Todos criticavam a Diretoria antes. E nesses meados de 83 em que o Flu lidera a Taça Guanabara?

- Tudo mudou. A verdade é uma só, quando se está ganhando, tudo vai bem.

- Quem apostou em Assis e Washington?

- Eu e o técnico Cláudio Garcia achávamos que eles eram o que a equipe precisava, e acertamos.

- O que falta para o Flu voltar a ser um grande time?

- Um título, isso sempre traz respeito e confiança.

- E quanto aos resultados. São os esperados?

- Estão chegando antes do que esperávamos. Mesmo se ganharmos o título, vamos continuar contratando.

- O Flamengo vendeu Zico e está perdendo espaço no futebol do Rio. O Flu pode tomar esse espaço para si, como em 1980, quando foi campeão pela última vez sob a sua batuta?

- Não tenho dúvidas de que isso pode acontecer. Principalmente quando Manoel Schwartz for eleito presidente: ele tem muita visão empresarial e vai fazer novamente do Flu uma grande equipe. Sua maneira de ser e de dirigir uma empresa não permite voos baixos. Não temos nomes ainda, mas acho que a nova Diretoria vai querer reviver 1975 e 76, quando o clube foi bicampeão.

- Vamos a uma pergunta que interessa e muito em 2015. Diante da crise, quem terá prioridade: o time ou o patrimônio?

- É claro que o time fala mais alto. Ter uma boa equipe significa ter melhores arrecadações.

A história tricolor é muito mais rica do que sala de troféus, imagens de gols e livros produzidos na base do “crowdfunding” para o estardalhaço querido por uma gestão de muito marketing e pouca bola.

Se pudéssemos perguntar a Newton Graúna se a contribuição espontânea de 83 era um “crowdfunding”, o que responderia? Poderia até ser, mas não se arrecadava nada para festas fora de hora e com fins de promoção pessoal.

Alguém se lembra de algum jogador que, após um gol, tenha corrido na direção do Newton para dar um abraço e os dois fazerem cara de mau? Garanto que assistiram a essa bobagem muito recentemente, no gol de empate assinalado pelo fraquíssimo e ultrapassado Wellington Paulista na derrota para o Atlético Mineiro em pleno Maracanã, partida em que fomos sufocados do começo ao fim.

Como fazer uma entrevista dessas hoje, sem ouvir um monte de baboseiras? A entrevista não foi premonitória, foi dada por uma pessoa competente, que conhecia futebol e sabia como ter resultado. Onde estão homens como Tadeu, olheiro de primeira grandeza, que viu futuro em nomes como Branco, Jandir, Renê, Tato, Leomir e Aldo?

Eram tempos em que formávamos jogadores como Cléber, Carlinhos, Edinho, Ricardo Gomes, Zezé, Delei, Pintinho, Robertinho, Paulinho e tantos outros. Craques criados no Clube e que permaneciam no Clube. O que temos hoje, senão Cascatinhas e Seus Cascatas, que exploram Xerém como um negócio. Xerém serve ao patrimônio antes de servir ao time. Pena que nenhum dos grandes nomes do Fluminense resistiu à bagunça que se instalou a partir de 1987.

E o Mário, o que diria?

Nada. Nenhum Mário tem autoridade para falar nada quando o assunto é Newton Graúna, José Carlos Vilella e os acima citados e sua contribuição para o Fluminense.

A continuar...

 

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