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    Sergio Neves
    Sergio Neves convenceu Adão a usar folha de "Parreira" e a torcer pelo Fluminense. É Advogado e Procurador do Estado, já tendo exercido o cargo de Procurador Geral do Estado do RJ. É Doutor PhD em Direito Econômico e Socioambiental pela PUC-PR.
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em foco • Por Sergio Neves • 17 ago 2015
Minha Gisele Bündchen e o maior rival do Fluminense (por Sergio Neves – “O amigo do Mario”)
Grupo de crianças torcendo pelo Fluminense no Maracanã

Meus amigos tricolores,

Meu romance com Gisele Bündchen está mais próximo de se concretizar. De minha parte, já está tudo certo. A decisão está com ela. Com 50% do romance bem encaminhado, essa semana minhas chances aumentaram após a separação da bela top model de seu marido jovem, atleta, campeão da NFL e multimilionário Tom Brady.

A gata está solteira e minhas chances de conquistá-la chegam a 50,000000...1%. Elegi Tom Brady como meu maior rival e, para que todos saibam, proibi que as mulheres de meu escritório entrassem com fotos suas, falassem seu nome, ou usassem seu rosto, que têm por lindo, como fundo de tela. Obriguei um jovem advogado, fã da NFL, a retirar de sua mesa uma flâmula do New England Patriots e, no churrasco de fim de ano, camisas do Patriots foram terminantemente proibidas. Fui duro, mas agora todos sabem quem é o meu grande rival.

Uma dúvida atormentava-me: será que Tom Brady já sabia meu nome ou já teria ouvido falar de mim?

Laranjeiras, 31 de julho de 2015, sexta-feira à tarde, véspera do jogo de estreia de Ronaldinho Gaúcho com a camisa tricolor. Acompanhado de seu pai, um garoto de 8 anos viaja do Paraná para o Rio de Janeiro e, de frente para a portaria da sede social do Clube Fluminense, como um presente de aniversário, está prestes a realizar seu maior sonho: entrar no Clube, comprar uma camisa na Boutique e ver o campo, ainda que à distância.

Cumprindo missão dada pela competente diretoria de nosso Clube, que sempre cumpre com rigor o nosso estatuto, um funcionário da portaria detecta naquele criança com seu pai a figura de um “meliante”, um provocador “terrorista” mirim basco. Sem mais nem menos, o funcionário sentenciou e transmitiu as suas ordens:

- Aqui essa criança não entra!

- Ele só quer ir à boutique.

- Vestido com a camisa do Barcelona não pode entrar.

Missão dada missão cumprida. A portaria do Clube, protótipo de Capitão Nascimento tricolor, havia cumprido a sua missão. Barrou o terrorista mirim basco, cujo pai, provável membro aposentado do ETA, ainda tentou ir ao Shopping Rio Sul para comprar uma camisa do Flu. Conseguiu, e, por paixão verdadeira, inocente e num último esforço, voltou ao Clube. A dupla terrorista acabou derrotada mais uma vez, dessa vez, para o trânsito, que o impediu de chegar a tempo de pegar o clube aberto.

Tudo bem: está no estatuto do Clube a vedação de ingresso no Clube com camisa de outra agremiação esportiva. Todavia, tudo na vida exige bom senso. Na Constituição da República a licença à gestante já foi estendida para mães adotivas e até para pais.

O casamento e a família, que correspondem à união entre homem e mulher, já admitem uma composição diversa e a união homoafetiva já é uma realidade tanto de fato como de direito. Tudo graças ao bom senso das maiores mentes da Ciência Jurídica de nosso país.

Se normas de hierarquia muito superior têm de ser interpretadas para que a vida em sociedade seja viabilizada e a todos agradável, como então negar-se interpretação à norma de um estatuto de Clube? A norma é claramente anacrônica. Atualmente, é natural que jovens e crianças torçam para equipes europeias, que sequer disputam nada com as brasileiras, pois estão anos-luz à frente de qualquer equipe brasileira, tanto técnica, financeira como administrativamente. Proibir camisas de clubes brasileiros, que disputam títulos com o Fluminense, é compreensível. Eu não gostaria de estar no Clube ao lado de um torcedor do alheio. Creio que nenhum tricolor gostaria. No caso comentado, a criança queria comprar a camisa do Fluminense. Que mal havia se bastava trocá-la após a compra?

A direção tricolor, todavia, tem de atualizar a regra estatutária seja por escrito seja na sua aplicação em concreto de forma atenuada. Do jeito que atua, nossa direção distancia-se do bom senso, e, de forma quixotesca, duela contra esse terrorismo provocativo de nossos rivais, como se estivesse a evitar uma tragédia em nosso Clube. O certo é que conseguiram frustrar uma criança que voltou a Curitiba ainda tricolor, pois seu amor pelo time é muito maior do que a mesquinhez retardada de algum diretor do nosso Clube.

Um Clube endividado, que termina um ridículo campeonato carioca num lastimável quarto lugar, que é derrotado por Chapecoense, Vasco, Avaí e outras equipes do quinto escalão de nosso futebol, quer provar o quê com uma atitude dessas?

Mário obtempera, chama minha atenção.

- Você está sendo muito rigoroso. Você também elegeu seu grande rival.

- Pela Gisele... vale.

Arrematou Mário:

- Fecham as portas das Laranjeiras para as camisas do Barça, mas as portas de Xerém estão abertas aos empresários bascos.

O que resta a alguns, senão adotar as medidas que sua inteligência permite. Parabéns à diretoria tricolor pela primeira, única e brilhante medida para a disputa de um título mundial com o Barcelona.

Enquanto eu aguardo conquistar Gisele, proibindo camisas dos Patriots, nós torcedores poderemos assistir a alguma outra criança chorando à porta do Clube e saber que é esse o símbolo de nossa Diretoria atuando rumo à final contra o Barça, que, preocupado, já deve estar a retaliar.

A essa altura, dezenas de crianças espanholas devem estar às portas do Barcelona, aos prantos, barradas por usarem a camisa do Fluminense.

Da imagem, diria nosso Renato Gaúcho: - Barcelona, prazer, Fluminense!

Depois dessa, quem é o nosso maior rival?

 

 

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"jr" - 22/08/2015 às 16h24
Passei por situação parecida. Enquanto aguardava para assistir ao jogo contra o time do caixa d'água, pelo carioca de 2003, tentei ir à Fluboutique. Sou componente da Young Flu e estava com uma camisa da nossa aliada Fúria Independente do Paraná. O rapaz da portaria informou que não poderia entrar trajando aquela camisa. Argumentei que era tricolor e que era uma torcida amiga e de um clube também tricolor. Em vão. Falou que eu só entraria com a camisa pelo avesso. Foi o que fiz. Pena que ao nosso torcedor mirim nem esta possibilidade foi dada. Parabéns pela bela crônica. De feia só a atitude narrada. Mais FREE para os capitães Nascimento, afinal tudo é uma questão de bom senso.
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Nilo d'Avila - 20/08/2015 às 13h49
Caro Sérgio,
Muito triste o acontecido com o menino. Em 2012 estive em Barcelona e visitei o Nou Camp. Fiz questão de ir com a camisa tricolor. Além de não sofrer nenhuma restrição de acesso, fui muito bem tratado por todos os funcionários que operam o tour. Saí de lá ainda mais impressionado com a grandeza do clube, com a beleza e cuidado do estádio e do museu e, claro, com uma camisa e vários souvenirs do Barcelona...
Cabe ressaltar que só com os ingressos para essas visitas turísticas eles arrecadam 23 milhões de euros por ano...
ST
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Sergio Neves - 22/08/2015 às 09h31
Essa é a diferença entre tratar o outro com a elegância dos que se sabem superiores e o rancor dos que sequer sabem se impor. ST!
José Roberto Duncan de Azevedo - 20/08/2015 às 06h19
Sofri isso na pele a algumas décadas , quando desavisado fiz o mesmo tentando ir na Fluboutique com a camisa do Roma da Itália , onde na época jogava o Falcão .......
Posso dizer que foi humilhante , sair da longínqua Niteroi e voltar sem conseguir adentrar a minha segunda casa , guardo essa mágoa até os dias de hoje.
Posso te dizer o seguinte , quem me não fui barrado na entrada , fui "dedurado" por um sócio e convidado a me retirar .....
ST ( meu palpite pra Hj a noite : Flu 3x0 Paysandu com o 1 gol do R10 pelo Flu)
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Rogerio Rebouças - 19/08/2015 às 09h44
Caro Sérgio,
Não é basco é catalão. Lá não tem terrorista, mas caberia a licença poética. O Estatuto está correto e deve ser aplicado. O garoto no entanto deveria entrar. Bastava na portaria haver camisas de malha branca, neutra, para o garoto. Como se faz nos grandes restaurantes que exigem o uso da gravata. Ali , o maître, tem sempre algumas para estes casos.
Saudações Tricolores
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Sergio Neves - 19/08/2015 às 23h17
Rogerio, obrigado, mas vc não entendeu. O texto segue é estruturado de forma em o que é não é que se vê é o que não é. Tudo contra o que se luta ou se deseja não existe. Por isso, basco garotos espanhóis e o termo "quixotesco". Jamais catalão. O estatuto não está certo. É absurdo nesse caso. Pensamento retrógado, que não resiste a uma ação, tal como a que foi proposta contra o Country, que exigia roupa branca de babás. O papel aceita tudo, até idiotice de preconceito e falta de ciência no bem conviver, tipicamente novecentista. Licença poética é outra coisa. Qualquer dúvida, Umberto Eco tem artigos e livro ótimos sobre semiótica.
Elson Cormack - 17/08/2015 às 23h10
Pois é. No auge do Conca no FLU, quando estávamos prestei a conquistar o Brasileirão e o Conca ser escolhido o melhor jogador do campeonato, aproveitando uma viagem à Buenos Aires, fiz uma homenagem ao ídolo e adquiri uma camisa da Seleção da Argentina com o nome CONCA estampado nas costas. Fez muito sucesso por lá, principalmente entre os torcedores do River. Só que fui barrado com ela na Portaria do Clube quando tentei entrar para comprar outra camisa na FluBoutique. Não adiantou argumentar que era uma evidente homenagem ao nosso ídolo, e que o nosso FLUMINENSE não disputa jogos contra aquela seleção. Salvou-me a loja Só Tricolor em Niterói, onde pude entrar sem ser barrado na porta.
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Sergio Neves - 19/08/2015 às 23h23
Meu caro e prezado Elson. Conheço sua elegância pessoalmente. O Clube está perdendo e muito com pensamentos vetustos estruturados sobre um conceito de exclusão. Camisa de time brasileiro pode ser tida como afronta, mas o seu caso e o do garoto só tenho a lamentar. Saudações tricolores.
JGFardin - 17/08/2015 às 18h57
Excelente cronica, belo espírito cívil. Como Tricolor tenho até vergonha ao ler uma coisa dessa e saber que deva ser verdadeira. O problema é que tem sempre um "Sábio Estúpido" para ditar normas bossais e um Idiota de plantão para executar ordens. Mesmo que o Pai e o Garoto não fossem comprar camisas, já seria um absurdo barrar alguém.
Responder
Sergio Neves - 19/08/2015 às 23h25
JGFardin,
obrigado. Parabenizo-o de igual forma pela prisma evoluído pelo qual consegue criticar a posição anacrônica do estatuto, que tem de ser atualizado à sociedade multicultural em que vivemos. Saudações tricolores!
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