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    Sergio Neves
    Sergio Neves convenceu Adão a usar folha de "Parreira" e a torcer pelo Fluminense. É Advogado e Procurador do Estado, já tendo exercido o cargo de Procurador Geral do Estado do RJ. É Doutor PhD em Direito Econômico e Socioambiental pela PUC-PR.
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em foco • Por Sergio Neves • 15 set 2015
Do golpe do doente imaginário à morte do futebol tricolor II (por Sergio Neves - “O amigo do Mario”)
Rodrigo Caetano, Celso Barros, Abel e Sandro Lima conversando na "Era Unimed"

Segunda parte: Operação resgate e o fim do amor.

Meus amigos tricolores,

Comecei a escrever essa crônica após a derrota para o Joinville. De lá pra cá, jogamos seis partidas: perdemos cinco e empatamos uma. Temos a pior campanha do segundo turno e estaríamos sozinhos na lanterna. De quem é a culpa? Será que a inexperiência de vida e de futebol permite culparmos só quem vai a campo? A nossa desgraça começa fora de campo e há alguns anos, com uma campanha difamatória.

O Fluminense nasceu com a vocação da eternidade. Tudo pode passar, só o TRICOLOR não passará jamais. Fantástica e premonitória a sentença de Nelson Rodrigues. O Fluminense, a partir de 1987 hibernou, quase faliu, foi parar na terceira divisão, mas superou tudo, inclusive todos os incompetentes que por lá passaram, piscineiros e uma vanguarda inteira. Ufa! Ops! Ufa faz-me lembrar de Uran, Figer e Alda. Superamos alguns desses também.

O resgate do futebol do Fluminense começa com a conquista do campeonato da Terceira Divisão do Brasileiro em 1999 e o começo do patrocínio da UNIMED. Tudo na vida tem um preço e tivemos de pagá-lo. Passamos a ser geridos por Celso Barros, que muitos começaram a contestar, como um coronel e, conseguiram, por meio de um forte movimento na internet, classificar como um câncer para o Fluminense. O que não se faz na ânsia pelo poder.

Contra fatos não há argumentos: críticas a Celso Barros e à parceria são sempre possíveis. Nada é perfeito. Porém, foi essa parceria que nos levou à final da Taça Libertadores, nos deu dois títulos do Brasileiro, um título da Copa do Brasil e colocou o Fluminense entre os grandes clubes do Brasil. Incontestável! A parceria do Fluminense com a UNIMED foi um enorme sucesso e poderia ter sido maior se estivessem à frente do Clube os grandes nomes do passado.

2014 tem um final inusitado, mas já esperado, com a saída da UNIMED. Nossos dirigentes mantinham com Celso Barros uma relação estranha, ora de relação profissional e de amizade ora de repúdio. Nunca entendi e talvez somente quatro paredes sejam capazes de compreender.

Casos como o da saída e retorno de Cícero trazem-me dúvidas. Contratado pela UNIMED, o meia saiu do Clube após o anúncio do fim da parceria. Fica seis meses distante na Arábia e reaparece seis meses depois, transparecendo ser o velho artifício da ruptura do contrato de trabalho, com o afastamento do empregado para que, em seu retorno após um certo prazo, possa fazê-lo com um salário menor, sem que alguma nulidade possa ser arguida. Se isso tivesse ocorrido, seria um favor à UNIMED, que não mais pagaria salários a Cícero, que seria contratado direto pelo Flu em bases mais adequadas à realidade pós-UNIMED? Não sei e as paredes não confessam. Felizmente, Cícero é o grande jogador do Flu nessa temporada.

A saída da UNIMED é cercada de mistérios, embora não faltem os “sabe-tudo”, que afirmam que a empresa estava à bancarrota e que podia terminar o contrato por sua vontade, unilateralmente. De uma forma ou de outra, certo é que a empresa estava obrigada a pagar o salário dos jogadores durante o ano de 2015. Foi liberada dessa obrigação. Mais um favor? Uma opção para evitar salários atrasados e boicotes dos jogadores? Não se sabe, cada um acredita no que lhe é mais conveniente, mas me parece concerto entre amigos.

O fim da parceria foi comemorado por irresponsáveis. Tivemos 15 anos de convivência e necessidade absoluta da UNIMED como nosso mecenas. Durante esse período, porém, o Fluminense nada fez para tornar a sua situação financeira mais favorável, de modo a que pudesse voltar a reassumir o seu futebol com inteireza e dignidade. Durante os últimos anos, a atual Diretoria tirou do Clube nossos boleiros e privilegiou os cientistas da bola, pessoas que relacionam a bola à explicação do número Pi ou à da quadratura do círculo, mas que desconhecem futebol.

Criticávamos Celso Barros pela contratação de atletas como Pedrinho, vulgo “Podrinho”, Edmundo, Petkovic, Leandro Amaral, Felipe ou Romário, todos em fim de carreira flagrante, além de seu maior pecado, que era insistir com seu amigo Renato Gaúcho como treinador do Flu. Em novembro de 2013, parecendo fazer parte dessa campanha de detração da UNIMED e de Celso Barros, a Revista Piauí do Estadão publicou reportagem intitulada “O dono das Laranjeiras”, que concluiu, pedindo, sabe-se lá por que: “menos acúmulo de supostos craques e mais equilíbrio no elenco. Menos desperdício e mais pés no chão. Menos amor e mais gestão”. Pronto! Está aí a receita para um novo Fluminense: menos paixão pelo futebol e mais tecnicismo na gestão. Se a gestão é fundamental, aquele que conhece o futebol, o chamado “boleiro” teve declarada a sua inutilidade. Ao contrário, pergunto: qual o interesse do Estadão em dar palpite no Fluminense?

Os gestores do nosso futebol, em pouco mais de meio semestre, conseguiram contratar jogadores desconhecidos para o Carioca, tudo com base em scout, segundo noticiado, fornecido pelo empresário Eduardo Uran. De outro lado, desarquivaram as decisões de Celso Barros e trouxeram Ronaldinho Gaúcho, que, depois de um mês, sabemos estar acabado. Trouxeram também Magno Alves aos 39 anos e Wellington Paulista, campeão de nada, de 31 anos, que era reserva de Rafael Moura no Inter e desgostado pela torcida do Coritiba.

Se Renato Gaúcho não era um treinador à altura do Fluminense, nossos cientistas do futebol conseguiram trabalhar com três treinadores num único semestre. Começaram com Cristóvão e foram para um incompetente de carteirinha, Ricardo Drubscky, que nos encheu de derrotas. Reconheceram o erro e contrataram outro treinador muito distante da grandeza do Fluminense, que é Enderson Moreira. Sem títulos no futebol, Enderson nunca jogou futebol e ainda é um nada na carreira, não constando em seu currículo qualquer título que justifique ser contratado por um Clube da grandeza do Flu.

Enderson tem muito a ver com Renato Gaúcho, além de tê-lo substituído no Grêmio. Ambos poderiam estar, ao menos em tese, sujeitos às ordens superiores, pois começam na carreira. Ainda assim, essa “Gestão tricolor” criticava a contratação de Renato, que, apesar de ser um treinador de duvidosa competência, tem um currículo dez vezes maior e melhor do que o de Enderson e cem vezes melhor do que os de Cristóvão e Drubski. Ridículo e contraditório, contratar treinadores assim só mostra desrespeito e incompetência para com o Fluminense.

Os cientistas afirmavam não gostar das prescrições do Dr. Celso, mas estão a se valer das mesmas receitas, sem ter a mesma receita. Onde isso vai dar? Vamos demitir Enderson para quê se a escolha do novo treinador caberá a incompetentes?

A continuar...

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Sandra Monteiro - 15/09/2015 às 19h23
O fim da parceria com a Unimed seria necessária se a atual diretoria soubesse gerir o Clube, O que não ocorreu.ST
Responder
Rômulo - 15/09/2015 às 13h14
Eu acho que o fim da parceria com a Unimed foi necessário!
Responder
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