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    Tricolor desde antes de nascer, Bruno Carril é advogado pós-graduado em Direito Desportivo e especializado em Leis de Incentivo ao Esporte, rockeiro de berço, sócio contribuinte e fundador do MR21
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em foco • Por Bruno Carril • 19 mai 2016
Uma mentira exaustivamente repetida não se transforma em verdade (por Bruno Carril - “Esse negócio chamado futebol”)

No dia 29 de abril de 2016, o Fluminense Football Club publicou, em seu sítio eletrônico, o extremamente confuso e pouco transparente balancete final relativo ao exercício fiscal do ano de 2015, apresentando aos seus sócio e torcedores um resultado supostamente positivo, que indicava um superávit de 32 milhões de reais, notícia que parece ter deixado eufóricos os defensores da atual gestão e, principalmente, os militantes de grupos políticos que formam a base da administração Peter Siemsen.

Tais pessoas, nitidamente aflitas pela necessidade de exibir dados positivos em meio a tantos e seguidos resultados negativos, dentro e fora de campo, sequer tiveram o cuidado de analisar os números e indicadores apresentados, que vão muito além do comemorado superávit, e se precipitaram a correr para as redes sociais com a finalidade de proclamar a excepcionalidade de Peter Siemsen como gestor financeiro.

É notório, todavia, que a evolução da dívida total do clube não acompanha o sucesso administrativo sugerido pelos balancetes exibidos e pelos discursos inflamados dos reacionários de plantão (entendidos aqui em seu conceito literal, qual seja, indivíduos que defendem uma manutenção do "status quo" político e se opõem as mudanças necessárias).

A história da humanidade nos ensinou que, por vezes,  "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade absoluta". Atualmente, em meio ao caos gerencial, esportivo e financeiro que assola às Laranjeiras, percebe-se que o velho ditado é seguido à risca pela atual gestão.

Em verdade, o Fluminense, atualmente, é um arremedo de mentiras e falácias, criadas sob o pretexto de forjar uma fictícia gestão financeira de excelência, mas cujas práticas não justificam as manobras contábeis utilizadas para modelar uma imagem que somente existe na cabeça daqueles que a criaram.

Assim, repete-se, exaustivamente, que a atual gestão teve o mérito de conseguir organizar o clube financeiramente e que estaria, aos poucos, sendo capaz de reduzir as dívidas que assolam os combalidos cofres tricolores. Uma mentira repetida tantas vezes, suportada por balancetes forjados com a finalidade de atendimento de tais interesses, que acaba por se tornar verdade para grande parte da torcida tricolor, menos atenta ao que realmente ocorre no dia a dia do Fluminense Football Club.

Ora, se o desempenho financeiro é tão positivo, por qual razão permanecemos vendo o valor da dívida total do clube crescer, ano após ano? Até que ponto o Fluminense realmente vive um período de controle financeiro e até onde este controle está nos ajudando a reduzir nossas dívidas? São questionamentos essenciais que precisam ser analisados por cada um dos sócios e torcedores do clube.

Diante de tais e tantos questionamentos, entendemos ser essencial nos debruçarmos sobre esta questão e nos propusemos a realizar uma análise financeira bastante simplificada, fundamentada basicamente na comparação e na análise da evolução financeira desta dívida. O resultado é surpreendente e aponta questões bastante elucidativas e esclarecedoras, conforme poderá ser observado abaixo:

METODOLOGIA DA ANÁLISE

A presente análise se fundamentou na simples comparação da evolução da dívida do Fluminense Football Club, considerando o crescimento anual do patamar das dívidas, de acordo com dados amplamente divulgados por portais de renome no meio esportivo, tais quais, Revista Exame, Portal GloboEsporte.com, análises de balancetes e estudos publicados pelo respeitado Instituto Pluri Consultoria, pelo renomado especialista Amir Somoggi e pelos balancetes apresentados pelo próprio clube.

Os valores de dívidas e receitas apontados no presente estudo são abalizados por publicações oficiais, estando ao alcance de todos os interessados e se constituem, basicamente, de projeções formuladas por especialistas, através de cálculos que se fundamentam no somatório do passivo circulante vincendo com o passivo não circulante, devidamente deduzido da soma dos ativos do clube.

Trata-se, pois, de um método completamente aceitável e dentro dos padrões utilizados para projeção do valor das dívidas e, atualmente, aplicável à todos os clubes do Brasil. No entanto, a fim de que não reste espaço para uma alegação de que esse estudo pretende criar uma visão desfigurada da realidade financeira do Fluminense Football Club, faz-se a ressalva de que tal método não considera os intangíveis, dentre os quais se incluem as receitas oriundas da negociação de diretos econômicos de atletas, uma vez que a materialização somente ocorre após o recebimento dos valores.

Isso poderá resultar em uma redução mais significativa da dívida, principalmente se considerarmos que já possuímos receitas necessárias, como a venda do Gerson, cujas parcelas vincendas não foram inseridas no balancete.

Entretanto, o atual balancete também não esclarece de forma plausível a forma como o clube pretende honrar débitos futuros inevitáveis, como por exemplo, o pagamento do empréstimo e dos juros que serão recebidos pelo Vice-Presidente de Projetos Especiais Pedro Antônio, em razão do empréstimo para a construção do Centro de Treinamento. 

Ou seja, definitivamente não se trata de questão que resulte em uma alteração significativa nas conclusões alcançadas.

E, por outro lado, é essencial destacar que  grande parte destas dificuldades são de responsabilidade, mais uma vez, da própria diretoria do Fluminense que não parece disposta a entregar aos seus torcedores e sócios a devida transparência a fim de viabilizar um conhecimento amplo, irrestrito e mais adequado de sua situação financeira.

Sob nenhuma hipótese levantaremos qualquer tipo de questionamento acerca da legalidade ou correção das informações apontadas pelo balancete e admitimos aqui que o Fluminense cumpriu com o mínimo obrigatório exigível em sua demonstração financeira. Todavia, reiteramos a nossa crença que poderíamos, e deveríamos, ter ido além do ofertado. A exposição de uma avaliação da dívida geral do clube ou uma demonstração do passivo vincendo e das receitas futuras garantidas, por exemplo. Informações essenciais que, infelizmente, são omitidas dos sócios e torcedores do clube.

Talvez por ter muito o que omitir, justamente para viabilizar a manutenção da falácia da boa administração financeira, que conforme restará demonstrado, não passa de um mero discurso.

ENTENDENDO A DÍVIDA DO CLUBE

Antes de adentrarmos em uma detida análise acerca da evolução da dívida do Fluminense nos últimos anos, é essencial que possamos entende-la em seus conceitos mais básicos, a fim de que saibamos exatamente o objeto de nossa avaliação.

Assim, de forma introdutória, é necessário observar que a dívida total do Fluminense Football Club, apurada até o final do exercício financeiro de 2015, segundo estudo de Amir Somoggi, publicado pelos principais portais de notícias esportivas e empresariais, remonta o valor de R$ 461.900.000,00 (quatrocentos e sessenta e um milhões e novecentos mil reais).

Essa dívida pode ser dividida, basicamente em três grandes grupos: Dívida Tributária, Dívida Trabalhista e Dívida Cível.

A) Dívida Trabalhista

Como o próprio nome sugere, a dívida trabalhista é decorrente de todas as relações de trabalho, incluindo acordos extrajudiciais, judiciais ou execuções perpetradas junto à justiça do trabalho. De uma forma geral, se trata de uma das fatias mais problemáticas da dívida total dos clubes brasileiros, em razão das frequentes penhoras que causa, que por vezes acabam inviabilizando o bom funcionamento das Entidades Esportivas.

Infelizmente, o balancete do clube se ocupa exclusivamente de indicar os valores pagos no último exercício, sem se ocupar de esclarecer valores totais de débitos pré-existentes. Uma questão contábil técnica que, se inegavelmente não se constituiu como uma irregularidade, também resulta no acobertamento de informações importantes, que seriam muito interessantes sob o enfoque da transparência perante o sócio e do torcedor tricolor.

O último levantamento apresentado pela Pluri Consultoria, entretanto, indica que, no fechamento do exercício de 2013, a dívida trabalhista do clube atingia o montante de R$ 133.900.000,00 (cento e trinta e três milhões e novecentos mil reais).

Infelizmente, não foram localizados novos dados para que pudéssemos analisar a evolução dessa dívida ou ponderar números mais recentes. A ausência de indicação da dívida pré-existente no balancete do clube também não nos permite avaliar se a mesma segue um ritmo de avanço ou redução.

Sabe-se, contudo, que o Fluminense conseguiu retornar ao Ato Trabalhista e, com isso, faz pagamentos mensais fixos, evitando desta forma a ocorrência de novas penhoras que inviabilizem o funcionamento do clube. Recentemente, conseguimos, finalmente, obter uma certidão positiva de débitos com efeito de negativa, o que sugere que toda a dívida atual está inserida em um plano de pagamento que parece estar sendo seguido à risca.

Inegavelmente, um mérito da atual gestão que não nos cabe omitir. Seria interessante, contudo, termos dados mais atualizados a fim de restar possibilitada uma verificação acerca da capacidade do clube em evitar novas demandas e, consequentemente, novas dívidas. A redução dessa dívida é tão importante quanto o seu controle.

B) Dívida Cível

A mais complexa das dívidas, e, em geral, a de menor impacto financeiro, contempla uma séria de relações do Fluminense com empresas, outros clubes (em caso de contratações), jogadores (pelo pagamento dos direitos de imagem, quando os atletas não optam por levar a questão à Justiça do Trabalho), patrocínio (como  por exemplo as recentes ações ajuizadas pela Unimed em face do Fluminense).

Mais uma vez, o balancete não traz informações concretas que possam pautar uma análise específica e não existem levantamentos de tal dívida, em razão da complexidade para a reunião desses dados. Seria interessante sabermos, inclusive, se o próprio Fluminense possui integral conhecimento de todas as suas dívidas de natureza cível, considerando a variabilidade de sua origem.

Sabe-se, contudo, que o Fluminense está envolvido em, pelo menos, 160 processos nas varas cíveis da comarca da Capital, tanto no polo ativo quanto no polo passivo, o que significa que o clube também pode ser credor em inúmeras dessas relações, feito que  torna a análise dessa fatia da dívida, em particular, quase impossível sem acesso direto aos dados do clube.

Dentre as ações citadas, ao menos 42 demandas foram ajuizadas durante a gestão Peter Siemsen. Merecem destaque ações cujos autores são a Unimed-RJ, cujo objeto é o questionamento do repasse de valores de transferências e de empresas pertencentes aos jogadores Felipe e Deco, já em fase de execução. São demandas que podem causar significativo impacto na dívida total do clube.

C) Dívida Tributária

De uma forma bastante simplificada, se constitui como dívida tributária todo e qualquer débito tomado pelo clube em decorrência do não pagamento de tributos em favor do governo, em todas as esferas. Tal dívida, portanto, pode ser dividida ainda em Federal, Estadual ou Municipal.

Tal viés, em especial, merece uma atenção mais detalhada em razão da possibilidade de análise de sua evolução, uma vez que o governo federal apresenta demonstrativos da evolução dessas dívidas, principalmente por ocasião dos debates que permeiam o PROFUT.

Isto posto, cumpre observar que a dívida tributária total dos clubes brasileiros, perante a União, chega ao incrível valor de 3,7 bilhões de reais, dos quais 1,59 são de responsabilidade exclusiva dos 12 maiores clubes do país.

Segundo o relatório apresentado pela Pluri Consultoria, em 08/05/2014, referente ao exercício do ano de 2013, a dívida tributária do Fluminense Football Club atingia o valor de R$ 210.300.000,00 (duzentos e dez milhões e trezentos mil reais), dos quais cerca de R$ 162.000.000,00 (cento e sessenta e dois milhões de reais) eram relativos à União Federal.

O que chama mais atenção, todavia, é a evolução desta dívida, senão vejamos:

Segundo um relatório levantado pelo renomado blog “Teoria dos Jogos”, junto ao grupo Folha, o Fluminense devia, em dezembro do ano de 2013, a quantia de R$ 90.000.000,00 (noventa milhões de reais). Em julho do ano seguinte, a dívida tributária do clube junto à união atingiu a monta de R$ 162.000.000,00 (cento e sessenta e dois milhões de reais), um aumento de 80% (o segundo maior entre todos os clubes brasileiros). Tudo para, em janeiro do ano seguinte, tal valor chegar aos R$ 172.800.000,00 (cento e setenta e dois milhões de reais e oitocentos mil).




A considerável evolução da dívida tributária, por si só, é uma questão que exige atenção,  principalmente em um cenário onde a atual gestão sempre ressaltou sua obrigação com o pagamento dos impostos, ao contrário das gestões anteriores.

Não se pode levantar qualquer tipo de acusação sobre ocultação ou não pagamento de impostos, pois a falta de transparência não nos permite tal grau de certeza. Mas é pouco provável que um aumento de 80% tenha origem exclusiva nos juros da dívida. A resposta poderia ser a exclusão do clube da Timemania, que resultou na perda de alguns benefícios fiscais obtidos em razão de sua adesão. Ocorre que tal feito ocorreu no mês de agosto de 2013, e não no período entre dezembro de 2013 e julho de 2014.

Atualmente, a dívida fiscal total do Fluminense é de R$ 163.000.000,00 (cento e sessenta e três milhões de reais). A redução, entretanto, não decorre de um trabalho de excelência de aumento de receitas e pagamento de dívidas, mas do benefício de R$ 58.765.000,00 (cinquenta e oito milhões, setecentos e sessenta e cinco mil reais), decorrentes da adesão ao Profut.

A EVOLUÇÃO DA DÍVIDA

Ultrapassada a questão preliminar, acerca da constituição da dívida do Fluminense Football Club, e suas particularidades, torna-se imperioso analisar a evolução da dívida total do clube, ponto principal e esclarecedor deste levantamento e do que foi, de fato, a gestão financeira do clube nos últimos anos.

Inicialmente, é imperioso retornar ao não tão longínquo ano de 2004, o último da gestão David Fischel. O Fluminense encerrou aquele exercício com uma dívida total acumulada de R$ 92.600.000,00 (noventa e dois milhões e seiscentos mil reais). Valor que parecia excessivo já naquela época, mas que, em verdade, representa muito pouco perto do atual patamar, 5 vezes maior.

Além do mais, vale recordar que eram tempos de vacas magras e o clube buscava recuperar-se de um período negro de sua história, com problemas financeiros gravíssimos e um completo fracasso esportivo que afetou as receitas do clube e fez as despesas dispararem.

Entretanto, foi no ano seguinte, já sob a gestão de Roberto Horcades, que o Fluminense Football Club parece ter iniciado o seu calvário financeiro, até o momento sem fim, responsável pela situação caótica vivenciada pelo clube atualmente. Logo em seu primeiro ano de Gestão, Horcades elevou a dívida do clube para absurdos R$ 140.000.000,00 (cento e quarenta milhões de reais). Uma variação de 51% em apenas um ano. Um aumento de nada menos que R$ 47.386.000,00 (quarenta e sete milhões e trezentos e oitenta e seis mil reais).

Apenas dois anos depois, no ano de 2007, a dívida já havia saltado para, pasmem, incríveis R$ 275.756.000,00 (duzentos e setenta e cinco milhões e setecentos e cinquenta e seis mil reais). O título da Copa do Brasil e o bom desempenho no Campeonato Brasileiro daquele ano custaram aos cofres do clube cruéis R$ 135.767.000,00 (cento e trinta e cinco milhões e setecentos e sessenta e sete mil reais), um aumento de, 97% em relação ao apurado no ano de 2005.

Ultrapassada a sangria financeira de seu primeiro mandato, Roberto Horcades adotou nos anos posteriores, uma conduta um pouco menos agressiva ao cofres do clube. O ano de 2008, reforçado pelo bom desempenho do clube na Libertadores da América e pela elevação das receitas decorrente de tal feito, recorde até então, permitiram ao Fluminense fechar o exercício financeiro com um aumento da dívida de “apenas” R$ 30.382.000,00 (trinta milhões e trezentos e oitenta e dois mil reais), valores elevados em termos absolutos, mas que resultavam em acréscimo percentual de 11% do valor total da dívida. Muito pouco se comparado aos resultados anteriores.

Naquela altura, o clube já havia ultrapassado a barreira dos 300 milhões de reais em dívidas, atingindo o montante de R$ 306.149.000,00 (trezentos e seis milhões e cento e quarenta e nove centavos).

Ao final do ano de 2009, o Fluminense havia elevado a sua dívida à R$ 329.278.000,00 (trezentos e vinte e nove mil e duzentos e setenta e oito reais). Aumento de R$ 23.129.000,00 (vinte e três milhões e cento e vinte e nove mil reais), ou 8% em relação ao valor apurado no exercício anterior.

O ano de 2010, último ano da gestão Horcades e ano em que o clube conquistou o seu tricampeonato brasileiro, resultou em um aumento da dívida total do clube em R$ 39.097.000,00 (trinta e nove milhões e noventa e sete mil reais), ou seja, 12%.

Ao final do ano de 2010, Roberto Horcades entregou a presidência do clube ao atual presidente Peter Eduardo Siemsen, com uma dívida acumulada de R$ 368.375.000,00 (trezentos e sessenta e oito milhões e trezentos e setenta e cinco mil reais).

O ex-presidente, que havia assumido o clube em 2005 com uma dívida de R$ 92.600.000,00 (noventa e dois milhões e seiscentos mil reais), foi responsável por elevá-la em R$ 275.761.000,00 (duzentos e setenta e cinco milhões e setecentos e sessenta e um mil reais), um aumento de 298% (!!!). Ou seja, Horcades praticamente triplicou a dívida do clube em sua gestão. 

Definitivamente, os bons resultados obtidos dentro de campo passaram muito longe dos resultados financeiros. O clube sofre, e sofrerá por muitos anos, os impactos desses caóticos anos. O tamanho do rombo financeiro foi tão grande que, considerando a dívida total atual, a gestão Roberto Horcades, é responsável por 59% de TODA a dívida do Fluminense Football Club.

Peter Eduardo Siemsen, ex-Vice Presidente Jurídico do clube durante a gestão Horcades, e agora elevado a condição de guru de financeiro segundo a atual retórica, a ssume o clube no ano de 2011, com um discurso moderno e sob a promessa de um rígido controle financeiro, capaz de colocar as finanças do clube em ordem e tornar o clube financeiramente viável.

Logo em seu primeiro ano, entretanto, Peter Siemsen elevou a dívida do clube em R$36.525.000,00(trinta e seis milhões e quinhentos e vinte e cinco mil reais). Um considerável aumento financeiro de 10% no valor da dívida. Pela primeira vez o clube ultrapassava o patamar dos 400 milhões, atingindo os impressionantes R$ 404.900.000,00 (quatrocentos e quatro milhões e novecentos mil reais) em dívidas.

O questionável desempenho financeiro encontrou as devidas explicações em uma herança maldita, cheia de valores não contabilizados, impostos não recolhidos, salários atrasados e tantas outras condições que tornariam qualquer controle financeiro, por mais rígido que fosse, impossível de resultar em uma redução significativa da dívida.

Ocorre que, já no ano de 2012, com todas dívidas conhecidas, ao menos em tese, e diante de um considerável aumento das receitas obtidas, quase dobradas, motivadas pelos novos contratos de televisão e pelo ano do Tetracampeonato brasileiro, a gestão Peter Siemsen teve desempenho ligeiramente pior que o ano anterior. Com mais R$ 39.900.000,00 (trinta e nove milhões e novecentos mil reais), um aumento de 10%, a dívida do clube atingiu o patamar de R$ 444.800.000,00 (quatrocentos e quarenta e quatro milhões e oitocentos mil reais).

Este desempenho,  frise-se, foi consideravelmente pior do que, por exemplo, todos os anos da segunda gestão Roberto Horcades. A velha justificativa baseada em um passado que, supostamente, não seria de sua responsabilidade (como se grande parte da dívida trabalhista do clube não tivesse o dedo do atual mandatário, ex-vice jurídico de Horcades), foi a nova-velha desculpa.

Para quem havia sido eleito sob a promessa de colocar freios na dívida do clube, os desempenhos financeiros, ano após ano, se tornavam assustadores. O ano de 2013, último de seu primeiro mandato se iniciava sob um cenário de muita pressão política, e crise com a patrocinadora do clube, a Unimed.

No polêmico ano de 2013, diante da necessidade de colocar em prática a política de controle financeiro, o clube adota práticas concretas capazes de resultar em redução de custos. A recém promovida renovação dos direitos de televisão e as renovações dos contratos de fornecimento de material esportivo,  fortaleceram o caixa do clube e o Fluminense, finalmente, consegue encerrar um exercício anual com redução das suas dívidas. Ao final daquele ano, o Fluminense devia R$ 422.700.000,00 milhões de reais, uma redução pequena, de apenas 5%, mas muito simbólica, considerando que o clube vinha de muitos anos seguidos de sobrecarga excessiva em seu caixa.

O grande problema é que o custo para tanto foi extremamente penoso. Com grande parte das receitas sendo  destinadas ao pagamento de impostos (por meio de penhora), o clube teve problemas sérios para honrar salários e premiações, acabou se desfazendo de muitos atletas, e foi rebaixado no campeonato brasileiro.

Salvo pelo erro crasso cometido por Flamengo e Portuguesa, o Fluminense iniciou o ano de 2014 sob muita pressão. A atual gestão se viu obrigada a elevar os investimentos, a fim de evitar uma nova catástrofe esportiva e a dívida atingiu o montante de R$ 439.600.000,00 (quatrocentos e trinta e nove milhões e seiscentos mil reais), um aumento de R$ 16.900.000,00 (dezesseis milhões e novecentos mil reais), ou 4% do valor total da dívida.

Ao final do ano, a rescisão da Unimed, patrocinadora do clube por 15 anos, pareceu cair como uma bomba sobre as Laranjeiras. Sem condições financeiras de arcar com prejuízos excessivos e com altos salários, o clube se viu obrigado a montar um elenco mais modesto, ocupando posições medianas nos campeonatos que disputou.

A saída encontrada para tentar abafar o enorme rombo financeiro, já previsto no próprio orçamento vergonhosamente aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube, foi a venda de atletas de nossas divisões de base e aumento das receitas variáveis. Assim, nos desfizemos, de uma só vez, de uma das mais promissoras gerações do clube, vendendo atletas como Kennedy, Gerson e Robert e encaminhando negociações pelo Marlon.

Com os balancetes recentemente divulgados, observamos um anunciado superávit que alcançou o valor de 32 milhões de reais durante o exercício de 2015, sustentado, precipuamente, pelas receitas oriundas da venda de atletas e da adesão ao PROFUT.

Tal superávit, todavia, não foi capaz de auxiliar no controle e pagamento das dívidas. O ano de 2015 se encerrou com uma dívida total de R$ 461.900.000,00 (quatrocentos e sessenta e um milhões e novecentos mil reais), um aumentode 5% em relação ao ano anterior, equivalente a R$ 22.300.000,00 (vinte e dois milhões e trezentos mil reais).

O crescimento da dívida em um ano em que o clube teve benefícios tão consideráveis é um indicador bastante preocupante. Observemos, pois, que nossos principais rivais cariocas tiveram exercícios fiscais indicando considerável redução de suas dívidas.

O Flamengo, por exemplo, com um incrível superávit de R$ 130.500.000,00 (cento e trinta milhões e quinhentos mil reais), conseguiu reduzir sua dívida total de R$ 697.900.000,00 (seiscentos e noventa e sete milhões e novecentos mil reais) para incríveis R$ 579.300.000,00 (quinhentos e setenta e nove milhões e trezentos mil reais). O Vasco da Gama, com superávit de R$ 119.800.000,00 (cento e dezenove milhões e oitocentos mil reais), reduziu sua dívida para R$ 467.600.000,00 (quatrocentos e sessenta e sete milhões e seiscentos mil reais). O Botafogo, por fim, até ele, indicou um superávit financeiro de R$ 108.800.000,00 (cento e oito milhões e oitocentos mil reais), reduzindo sua imensa dívida de R$ 848.400.000,00 (oitocentos e quarenta e oito milhões e quatrocentos mil reais) para R$ 731.100.000,00 (setecentos e trinta e um milhões e cem mil reais).

Números evidentemente impulsionados pelos benefícios fiscais decorrentes do PROFUT, mas que, por comparação, indicam o caos financeiro que se instalou em um clube que, ao contrário de todos os seus demais rivais, viu sua dívida aumentar em um momento em que deveria sofrer uma considerável redução.




Ora, segundo levantamento de Amir Somoggi, um dos mais conceituados analistas do mercado desportivo, caso não tivesse obtido os benefícios decorrentes do PROFUT, que tanto impulsionaram os números de nossos rivais, o resultado financeiro da atual gestão indicaria um déficit de R$ 27.700.000,00 (vinte e sete milhões e setecentos mil reais). Isso em um ano em que as receitas decorrentes da venda de atletas tiveram um aumento de 546% (!!!).

Ou seja, não obstante a impressionante arrecadação de quase 50 milhões de reais com a venda de atletas, o Fluminense ainda encerraria o atual exercício financeiro com um déficit incrível de 27,7 milhões de reais.

Definitivamente, não são números que indicam uma gestão financeira sequer aceitável.

A gestão Peter Siemsen ainda terá o ano de 2016 inteiro pela frente. Até o momento, a dívida acumulada em seu mandato atinge o vultoso patamar de R$ 93.525.000,00 (noventa e três milhões e quinhentos vinte e cinco mil reais), ou seja, um considerável aumento de 25,3%. A dívida assumida de R$ 368.375.000,00 (trezentos e sessenta e oito milhões e trezentos e setenta e cinco mil reais), atinge, atualmente, o montante de R$ 461.900.000,00 (quatrocentos e sessenta e um milhões e novecentos mil reais).

Ora, se é inegável a redução no grau de endividamento, também é indiscutível que a evolução da dívida não coaduna com um discurso de controle financeiro, sustentado durante toda a campanha e difundido, ainda atualmente, nas redes sociais.

A dívida, embora controlada, permanece crescente, não obstante ao considerável aumento das receitas, matéria que será melhor explorada na sequencia deste estudo. Segundo a frieza dos números, Peter Siemsen em nada se aproxima da imagem de guru financeiro que alguns militantes políticos insistem em divulgar e que uma parte da torcida parece acreditar.

Vejam, pois, que a atual gestão é responsável por 20% da dívida total vigente do Fluminense Football Club, um valor extremamente excessivo, em um cenário em que, sozinho, foi responsável por praticamente o mesmo endividamento de todos os demais presidentes na história do clube, com exceção de Roberto Horcades, líder absoluto.




Diante de todo o exposto, resta completamente evidenciada a falácia do controle financeiro extremo, tão frequentemente defendida pelo presidente Peter Siemsen e pelos grupos políticos que atuam de forma direta na atual gestão. A análise da evolução financeira do clube, todavia, não se encerra por aqui. É imperioso que nos debrucemos sobre o crescimento das receitas e a completa incapacidade de transformação desta em resultado financeiro positivo.

EVOLUÇÃO DO ENDIVIDAMENTO DO FLUMINENSE FOOTBALL CLUB




A EVOLUÇÃO DAS RECEITAS

Fator extremamente preponderante na análise das finanças do clube, as receitas constituem os valores recebidos pelo clube. Estes valores podem ser provenientes da operação direta da empresa, como venda de atletas, patrocínios ou contratos de imagem, ou ainda podem ser receitas não operacionais, como juros recebidos ou até mesmo da venda de um ativo não mais utilizado.

As receitas do Fluminense, nos últimos anos, seguem um ritmo de crescimento desordenado, com variações significativas de um ano para o seguinte, e um aumento ou redução das quantias obtidas em cada exercício.

Roberto Horcades iniciou sua gestão com receitas equivalentes a R$ 39.900.000,00 (trinta e nove milhões e novecentos mil reais), tendo convivido com variações incertas até o ano de 2008, quando, em razão do bom desempenho do clube na Copa Libertadores da América, viu as receitas saltarem para R$ 66.400.000,00 (sessenta e seis milhões e quatrocentos mil reais), um aumento de significativos 69%.

Após uma queda no ano de 2009, o clube voltou a ter um resultado positivo no ano de 2010, ano do tricampeonato, quando viu suas receitas saltarem para R$ 76.800.000,00 (setenta e seis milhões e oitocentos mil reais), um acréscimo de 25%.

Roberto Horcades, em seus seis anos de gestão, acumulou receitas de R$ 283.600.000,00 (duzentos e oitenta e três milhões e seiscentos mil reais). Valor consideravelmente menor que o que teve em suas mãos o seu sucessor, Peter Siemsen.

A mudança na estrutura dos contratos assinados para cessão dos direitos de transmissão, somado a uma elevação das receitas provenientes de contratos de patrocínio, tanto pela UNIMED, no primeiros anos, quanto pela Adidas, após a assinatura desta empresa com o Flamengo, feito que resultou na revisão do contrato do Fluminense, e ainda a aprovação do sócio futebol acabaram por elevar as receitas, já no ano de 2012, ano do tetracampeonato, em incríveis 89%, para um total R$ 151.177.000,00 (cento e cinquenta e um milhões e cento e setenta e sete reais).

O péssimo desempenho do clube no ano seguinte acabou por resultar em uma significativa queda de 17% das receitas do Fluminense Football Club, fechando aquele ano no patamar de R$ 124.800.000,00 (cento e vinte e quatro milhões e oitocentos mil reais).

O clube somente conseguiu se recuperar no presente ano, quando, fundamentado em uma política maciça de venda de ótimos valores para clubes europeus e investimentos em medalhões caros, conseguiu atingir o montante de R$ 180.300.000,00 (cento e oitenta milhões e trezentos mil reais).

Peter Siemsen, portanto, chega ao último ano de sua gestão com receitas acumuladas em R$ 478.477.000,00 (quatrocentos e setenta e oito milhões e quatrocentos e setenta e sete mil reais), ou seja, 69% a mais que o valor de receitas obtido por Roberto Horcades.

Peter Siemsen, em 5 anos de gestão, acumulou R$ 194.877.000,00 (cento e noventa e quatro milhões, oitocentos e setenta e sete reais) a mais que Roberto Horcades. E tal diferença certamente será consideravelmente elevada, uma vez que o ano em exercício sequer foi considerado para tal contabilidade.

A maior receita que Roberto Horcades teve em suas mãos, qual seja, R$ 76.800.000,00 (setenta e seis milhões e oitocentos mil reais), foi menor do que menor receita obtida pela Gestão Peter, com seus R$ 80.200.000,00 (oitenta milhões e duzentos mil reais).

Tais números revelam que foi Peter Siemsen o presidente que mais teve receitas na história do Fluminense Football Club. O considerável aumento nas dívidas, não obstante a quantidade de dinheiro arrecadado, apenas demonstram um completo fracasso financeiro da atual gestão, ao contrário do que vem sendo rotineiramente apregoado por grupos bases da atual gestão e por militantes em redes sociais.

Peter não foi capaz de realizar o divulgado controle financeiro prometido, mas aproveitou-se da incrível elevação das receitas gerada pela renovação dos contratos de televisão nos moldes atuais (que geram uma disparidade financeira enorme, conforme já discutido nesse mesmo espaço, em oportunidade anterior), pela renovação de contrato com  a Adidas, motivada pela insatisfação gerada pela assinatura da empresa alemã com o Flamengo e pelo início do programa de sócio torcedor, a única das receitas que, de forma relativa, pode ser atribuída a um trabalho desenvolvido por esta gestão.

Caso ainda persista alguma dúvida acerca do falacioso projeto financeiro, convido os leitores a fazerem  um exercício lógico bastante esclarecedor. Peter, até o ano em exercício, acumulou uma diferença de receitas de R$ 194.877.000,00 (cento e noventa e quatro milhões, oitocentos e setenta e sete reais). Caso possamos equiparar as receitas obtidas nas duas gestões, e excluir tal valor dos incríveis R$ 275.761.000,00 (duzentos e setenta e cinco milhões e setecentos e sessenta e um mil reais) que Roberto Horcades teve como resultado financeiro negativo de sua gestão, a tingiremos o mágico número de R$ 80.584.000,00 (oitenta milhões e quinhentos e oitenta e quatro mil reais).

Ora,  vejam, tal valor, no fim das contas é R$ 12.941.000,00 (doze milhões e novecentos e quarenta e um reais), ou 14%, menor do que os gastos totais obtidos pela gestão Peter Siemsen, qual seja, R$ 93.525.000,00 (noventa e três milhões e quinhentos  vinte e cinco mil reais).

É evidente que tal análise precisa ser relativizada, uma vez que as despesas também tiveram uma considerável elevação nesse período. Alguma dessas por responsabilidade do presidente, como o elevado custo do departamento de futebol, que pulou de R$ 64.200.000,00 (sessenta e quatro milhões e duzentos mil reais) no ano de 2011, para R$ 130.100,00 (cento e trinta milhões e cem mil reais), sem que os resultados obtidos nesse período justificassem tal elevação. Outras, pela influência de juros das dívidas, que fogem do controle da presidência.

O que fica claro é que a atual gestão passou muito longe de atingir a promessa de controle financeiro, formulada em campanha no ano de 2010, e ressaltada no ano de 2013. Inequivocamente, sob o ponto de vista financeiro, as gestões Roberto Horcades e Peter Siemsen guardam distâncias incrivelmente menores do que os discursos fanáticos parecem perceber. Tudo camuflado por balancetes moldados aos interesses da presidência e, principalmente, pela incrível elevação das receitas.

CONCLUSÃO

Após a devida análise de todos os dados expostos, a conclusão mais do que evidente é que, infelizmente, o clube passa muito longe de vivenciar um momento de controle financeiro extremo, como amplamente repetido pela atual gestão e por seus apoiadores.

De uma forma geral, Peter Siemsen tem o mérito de ter sido capaz de “controlar” a dívida, do clube, e reduzir o seu impacto no dia-a-dia, evitando novas penhoras, aproveitando-se das oportunidades concedidas pelo governo, como o Ato Trabalhista e, principalmente, pelo PROFUT.

Entretanto, mostrou-se completamente incapaz de controlar os débitos, sendo responsável por aumentos excessivos nos custos dos departamentos do clube, principalmente no departamento de futebol, sem obter receitas capazes de gerar uma saúde financeira desejável ou, ao menos, próxima do prometido.

Certamente, se tivesse o cuidado com as finanças que mostrou ter com o seu excelente marketing pessoal (pois o do clube é uma vergonha), estaríamos em uma situação consideravelmente melhor neste momento.

A insistência na repetição da falácia do bom gerenciamento financeiro, somada a perfeita exploração dos benefícios resultantes das receitas em plena expansão, utilizadas para esconder o enorme rombo financeiro que estava deixando no clube,  acabaram gerando uma imagem positiva que passa longe da realidade em estudo.
 
A análise comparativa com o desempenho financeiro dos rivais cariocas no último exercício, somada a comparação com as gestões anteriores, amplamente criticadas por torcedores, evidenciam o completo fracasso financeiro de uma gestão eleita sob a promessa de instaurar controle e redução dos débitos existentes.

Inequivocamente, a gestão Peter Siemsen foi capaz de apresentar uma ligeira evolução nas condições financeiras do clube, principalmente se compararmos com os números da gestão Roberto Horcades, uma verdadeira catástrofe na história do clube. Todavia, a distância existente entre essas gestões é muito menor do que tantas vezes é apregoado.

A certeza que fica, após a cuidadosa leitura do levantamento apresentado, é que a dívida total do clube permanece em plena expansão, e os balancetes recheados de informações financeiras positivas não passam de uma construção falaciosa, sustentada por pedaladas legalizadas sob o aspecto contábil.

Foram tomados empréstimos, renegociadas dívidas atiradas para exercícios posteriores com impacto nos juros e a arrecadação foi artificialmente elevada a um montante absurdo com a negociação de ativos, gerando uma redução patrimonial sem nos importar com os impactos técnicos dessa decisão, que nos cria uma ilusória expectativa de superávit que nada mais é do que uma falácia, uma construção ilusória, que muita gente repete em razão da falta de conhecimento técnico para analisar o todo.
 
Dilapidamos uma importante parte do nosso patrimônio, abrindo mão de uma das gerações mais promissoras de jovens atletas do clube, apenas para quitar resultados negativos de uma gestão calamitosa que excede as suas próprias despesas.

Torna-se ainda mais assustador ver que, mesmo com o tal superávit de 32 milhões de reais, o clube enfrentou problemas de atrasos salariais e só veio a quitar parte dos 4 meses de direitos de imagens atrasados no último dia do ano de 2015.

Ou, ainda, que os gastos com o Centro de Treinamento não foram sequer considerados, na confiança cega que o Vice-Presidente Pedro Antônio o continuará pagando, na certa deixando a dívida para as gestões vindouras.

Façamos uma simples analogia. Digamos que o nobre tricolor que neste momento dedica seu precioso tempo à leitura desse artigo tenha uma divida de 20 mil reais (espero que seja somente uma suposição!!). Na sua garagem, no entanto, existe um belo carro,  semi-novo, avaliado em 50 mil reais.

Para pagar aquela maldita dívida, você vende o seu carro, pela primeira proposta que  aparece, na casa de 35 mil reais. Assim consegue honrar a sua dívida de 20 mil e, vejam, ainda sobram 15 mil reais.

O erro no caso, é comemorar que você encerrou o seu ano com 15 mil reais. Uma vez que, na realidade, acabou ficando sem o seu carro, um bem que valia 50 mil.

É o que ocorre atualmente no Fluminense Football Club, com inúmeros torcedores batendo palmas e comemorando balancetes azuis sem perceber que a dívida total, que é o que realmente interessa, não para de crescer.

Superávit só pode ser comemorado, quando fundamentado no aumento de receitas e redução de despesas. Quando se presta ao pagamento das dívidas totais.  Ter superávit através da dilapidação do patrimônio do cube, não gera resultados sólidos.

Somente uma ficção tricolor. Nesse caso, mais próximo de um filme de terror do que da comedia romântica que parecem querem empurrar goela abaixo dos torcedores.

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Clayton - 08/07/2016 às 10h55
Olá novamente!

Li seu artigo e gostei muito de como você foi lá atrás e buscar quem realmente afundou o Fluminense em dividas. Se hoje existe uma pessoa que tenho desprezo é esse 'Sr' Orcardes. Não preciso falar o motivo, seu artigo explicar muito bem, mas o resumindo: Pegar um clube com 92 Milhões em dividas e entregar com 275... Não quero falar o que vem a cabeça.

Parte que não entendi no seu artigo

1. Você afirma que o 1º mandato do Peter 'foi consideravelmente pior do que, por exemplo, todos os anos da segunda gestão Roberto Horcades.'...

Olhando a imagem postada sobre 'evolução das dividas' temos o seguinte:

Orcades Peter
2009 - 8% ...... 2011 - 10%
2010 - 12% ...... 2012 - 10%
2011 - 10% ...... 2013 - -5%

Não achei o motivo da palavra 'consideravelmente pior'.

2. Não entendi o seu 'exercício lógico bastante esclarecedor.' Se quiser seria bom falar com outras palavras.

3. O Peter pegou dividas de 275 como você falou, citou problemas na questão de receita vs dividas, mas não ponderou de forma mais justa o estrago do passimo do Orcardes.

Só um exemplo, em 2012, o Flu não recebeu seus 9 milhões em premis do BR 2012 pq houve penhora para pagar dividas, culpa de quem? Orcades.

Outra coisa, Orcardes mesmo com o apoio da Unimed pagando todos os jogadores, fez dividas absurdas. O Peter, numa suposição minha, fez de tudo para não precisar da Unimed.

3. Você deu pouca importância aos custos do Futebol de 2011 para os de 2005. O futebol ficou muito mais caro. A saida da Unimed forçou o clube e arcar com os custos de jogadores muito caros do qual o clube não tem como pagar.

Dessa forma justificar o aumento fora da curva em 2013. Uma rescisão unilateral que prejudicou o clube.

4. A gestão atual tem erros sim, mas no que tenha visto, não vai deixar um clube arrasado financeiramente para a próxima gestão.

Em anos de Unimed, foi o único que procurou extrair desse patrocínio, algo de bom para o clube. Coisa que em 10 anos de antigas gestões não fizeram.

A Unimed em 15 anos de Flu, não deixou um tijolo pra o nosso clube, só sugou tudo que pode sem dar um real.

Agradeço qualquer esclarecimento sobre que falei e parabéns por seu artigo.
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Clayton - 07/07/2016 às 13h15
Parabéns por seu ótimo artigo.

Mas fica uma pergunta, eu pulei algumas partes, mas vou ler todo o artigo.

Você citou o aumento da receita no time de futebol, mas não vi você relativizando que houve um aumento por conta da saída da Unimed que deixou um enorme custo para bancar o time caro que não pago pelo clube.

Motivo esse que acabou tirando vários nomes do atual elenco, Fred é o melhor exemplo.

O CT você fala que vai ficar para pagar depois, segundo consta as informações, o clube pagou com a venda do Gerson e vem pagando com a venda de jogadores.

Vou ler todo artigo com mais atenção, pulei o inicio e fui na conclusão e nos anos do Peter. Se estiver errado nas minhas duvidas, por favor informe para entender melhor.
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