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    Tricolor desde antes de nascer, Bruno Carril é advogado pós-graduado em Direito Desportivo e especializado em Leis de Incentivo ao Esporte, rockeiro de berço, sócio contribuinte e fundador do MR21
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em foco • Por Bruno Carril • 23 jun 2016
Sentimento de revolta: uma rotina tricolor (por Bruno Carril – “Esse negócio chamado futebol”)

Durante os últimos anos, após cada partida em que acabávamos derrotados, e não foram poucas as vezes que isso ocorreu, a sensação era de que estávamos diante de um bom time, com algum potencial, mas que abusava do direito de jogar sem vontade, sem qualquer comprometimento com o clube e seu tamanho.

Hoje, entretanto, após mais uma derrota, dessa vez por 4 a 2 para o Santos, em jogo que éramos os mandantes, o sentimento foi completamente diferente. Não estava mais ali o time sem raça, sem vibração e sem vontade de vencer que me deixava completamente maluco e desanimado. O que vi, a verdade precisa ser dita, é um time ruim. Muito ruim...

Ruim como poucas vezes vimos na história recente do clube. Ruim como era aquele time de 2013. Ruim ao ponto de fazer referência aos anos que prefiro esquecer. Ruim, ao ponto de, em junho, estar bastante preocupado com dezembro.

“A culpa foi do Cavalieri”, alguns dirão... Sempre há um culpado. Nunca é o verdadeiro responsável. Culpas eventuais sempre teremos. Faz parte do jogo. Culpa permanente, não. Não é normal.

Enquanto o Santos empilhava gols na fraca defesa do Fluminense, que custa cerca de 750 mil reais ao mês (SIM!!!) e recebeu investimentos de 14,3 milhões de reais (10,8 pelo Henrique e 3,5 pelo Renato Chaves), escutávamos cantos de “terceira divisão” e “olé”.

O que vale, ao final, é conseguir ganhar 4,5 milhões de reais vendendo os seus jogos e atuando como visitante, mesmo quando é mandante. Alguns dirão que a torcida não comparece em peso em Volta Redonda e que o clube precisa lucrar. Não está errado, de todo.

A grande questão que se impõe permeia a completa incapacidade da atual diretoria ter se movimentado em tempo cabível, a fim de evitar o problema anunciado da falta de estádio. Aguardaram o campeonato começar para correr atrás? Não sabiam, há anos, que teríamos Copa do Mundo e Olimpíadas no Rio de Janeiro?

E lá estamos, cada um de nós, tricolores, apaixonados. Torcendo por um time liderado por um fraquíssimo Magno Alves, que parece encher os olhos de uma geração carente de ídolos, a perder gols embaixo das traves do goleiro santista. Enquanto isso, meus amigos, o antigo ídolo e artilheiro que era considerado caro demais para o clube, fazia mais gols decisivos. Agora, infelizmente, por outro time.

O fantasma de Fred assombrará essa diretoria. A inexplicável venda do atleta, que deixou bem claro ter saído contra a sua vontade em coletiva, à frente do presidente do clube, será lembrado após cada gol que marcar. Em cada gol que o Fluminense perder. Em cada jogo que seu clube vencer por seu gol decisivo. Em cada partida que sairmos derrotados pelo fracasso de nossos atacantes. E, somente torço para que não precisemos nos lembrar por 2009. Afinal, não há como esperar de Magno Alves o cumprimento de papel semelhante.

Será que alguém questionará o custo-benefício do Fred quando não tivermos um jogador sequer para nos tirar de uma situação de sufoco? Espero, profundamente, que não, apenas por não querer que estejamos em tal situação. Mas, vendo um jogo como o de ontem, é difícil acreditar em dias tranquilos.

E se amanhã o Fluminense sofrer, mais uma vez, tudo o que teve de suportar no ano de 2013, que não me venham com o velho discurso de transferência de responsabilidade. Que assumam a culpa pelos absurdos erros de planejamento e na montagem do elenco.

Infelizmente, a segunda divisão parece não assustar tanto uma diretoria que vê título em balancetes alimentados por benefícios fiscais que somente se prestam a esconder o fracasso financeiro de uma gestão que coloca o futebol em segundo plano e somente se preocupa com a propaganda de um controle das contas que sequer existe além dos balancetes manipulados aos interesses de alguns.

Poderemos, pois, nos orgulhar de termos o melhor Centro de Treinamento dentre os times da segunda divisão. Ou, quem sabe, exaltarmos o título de campeões da corrida de entrega das certidões. Uma corrida que disputamos sozinho, afinal, a única relevância disso é a não entrega no prazo estabelecido.

Será que, visitando o clube amanhã, poderei tirar fotos com os Balancetes, agora expostos no local que antes tinha uma foto do Fred levantando a taça do Tetra?

Mas existe esperança... Sempre há. No ruim, poderemos, quem sabe, comemorar o título do campeonato sub-20. Mas precisa ser rápido, antes que os meninos campeões sejam negociados. Afinal, pra que esperar chegar no futebol profissional se podemos ganhar dinheiro agora?

Fica a dúvida para que queremos dinheiro, já que não contratamos ninguém, não nos reforçamos adequadamente, a sede das laranjeiras continua caindo aos pedaços (literalmente), as dívidas aumentaram 100 milhões e o futebol profissional não é prioridade. Mas podemos, pelo menos, colocar como receitas no próximo balancete.

Não é a única esperança... Se nada der certo, podemos torcer pelo título do campeonato eslovaco da segunda divisão. Ou, ainda, torcer para que a diretoria do Fluminense traga uma medalha de ouro no ciclismo, nas próximas olimpíadas. Afinal, para bom entendedor...

 

 

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