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    Mônica Cury
    Mônica Cury é jornalista pós-graduada em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte. Mineira de Juiz de Fora, curte mochilar pelo mundo e carrega a bandeira tricolor para onde quer que vá. Joga futebol, se arrisca no futevôlei, mas é craque mesmo na arte de torcer para o Fluminense.
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em foco • Por Mônica Cury • 19 out 2016
Falar é fácil, difícil é agir como um gigante (por Mônica Cury - "Um sentimento Verde, Branco e Grená")

Eu vou começar sem floreios, sem meias palavras e sem enrolação. Vou diretamente ao ponto: o Fluminense tinha OBRIGAÇÃO de ir ao STJD entrar com o pedido de anulação do FlaxFlu.

Sei que muitos irão falar bobagens. Sei que nós, torcedores, iremos ouvir os mais absurdos e irresponsáveis argumentos. Sei que irão repetir os mantras antigos encomendados pela mídia. E sei que não será agradável. Torço para o Fluminense desde a década de 90, sei exatamente tudo que iremos passar.

Mas dane-se. Não é por isso que temos que nos acovardar e abaixar a cabeça seja para quem for.

O FlaxFlu começou antes da bola rolar. Com a nossa cordialidade e ingenuidade em permitir que nossos rivais comprassem mais de 10% dos ingressos (10% seria o obrigatório). Com a nossa fidalguia em deixar com que eles fizessem promoções e ações para sócios do clube rubro-negro durante o jogo. Trocamos de campo e de data para que eles pudessem contar com os jogadores emprestados para as seleções. Facilitamos a vida de quem nunca nos facilita nada.

Vieram ao jogo, utilizaram a TV para anular um gol nosso, e ainda ficam esbravejando quando pedimos que a regra seja cumprida. Como se eles mesmos já não tivessem feito isso em 2013.

E pior, uma parte da imprensa apoia e incentiva esse escárnio.

Acho interessante que, desta vez, alguns torcedores de outros times estão do nosso lado. Simplesmente porque se beneficiam com a anulação. Os atleticanos, que até outro dia faziam mosaico para nos chamar de CBFLU, hoje contam com a nossa lucidez. Os palmeirenses, que ano passado nos tiraram da Copa do Brasil com lances polêmicos e se gabavam disso, agora querem o nosso “mimimi”.

Assim é a vida no futebol. Todos querem ver apenas o seu lado.

Pelo lado do Fluminense, seria péssimo jogar novamente. Primeiro porque perdemos apenas um ponto caso tivesse terminado empatado, segundo que o jogo vai se tornar uma guerra boba, e terceiro que podemos perder dinheiro, machucar jogadores, e ainda nos prejudicarmos para os próximos confrontos. Pelo lado do Fluminense, o melhor mesmo seria deixar para lá.

Mas aqui é Fluminense. Não somos um clube covarde desde 1902. Não será vantajoso para nós, mas será para o futebol. Temos um compromisso com a competição e com tudo que ela envolve: torcedores, empresas, atletas e outros times. É obrigação de um clube enorme como o nosso fazer com que cumpram a regra que todos concordaram. Questão de honra e decência. Se o STJD vai cumprir a sua parte ou não, o problema é do STJD. Mas nós não podemos ter medo de sermos corretos.

A interferência externa ainda é proibida (uma pena, inclusive). Se é proibida pela regra, não importa se alguém estava impedido, se o goleiro saiu de campo, se o atacante deu voadora no gandula, se o zagueiro subiu nas costas de alguém. Se a decisão do árbitro foi tomada por imagens que passavam na TV, não pode ser validada e fim. Não há o que discutir.

Mas então era melhor deixar o árbitro errar no lance? SIM. É óbvio. Quantos lances eles erram? Todo jogo tem jogadas duvidosas, tem erro – pequeno ou enorme. Esse gol em questão, por exemplo, alguns dizem que estava impedido, outros mostram que não. É uma jogada milimétrica e muito difícil. Eu costumo dizer que, nesses casos, qualquer decisão do árbitro não pode ser dita errada. É humanamente impossível acertar todas. E então utilizam de um recurso da TV para assegurar a ele que o gol era ilegal? E nem a certeza absoluta tinham? VERGONHOSO.

E mais, se o caso não tivesse repercutido tanto na imprensa e a maior emissora do país não se encarregasse de mostrar provas evidentes da interferência externa, talvez o Fluminense não recorresse ao tribunal. Porém, após tudo isso, meus caros, seria ridículo não exigir o cumprimento da regra.

TODOS fariam isso. Alô amigos torcedores de clubes rivais, leiam esta frase 10 vezes: TODOS FARIAM ISSO.

Com uma rápida busca no google, eu posso ajudar vocês a entenderem.

“Vasco vai pedir anulação de jogo contra o Flamengo: clube alega erro de direito, e não de fato.” Clique aqui para ler a matéria.

“Santos quer anular jogo contra o Botafogo”. Clique aqui para ler a matéria.

“Ponte protocola no STJD pedido de anulação do jogo contra o Cruzeiro”. Clique aqui para ler a matéria.

 “Palmeiras entra com ação para anular jogo contra o Inter, mas chance de conseguir é pequena: Clube alega que gol de mão foi anulado após uso de imagem de TV, o que a Fifa proíbe”. Clique aqui para ler a matéria.

 “Flamengo pede abertura de inquérito sobre influência externa no jogo contra o Duque de Caxias”. Clique aqui para ler a matéria.

“SP cogita pedir anulação de derrota para a Ponte após arbitragem confusa”. Clique aqui para ler a matéria.

Essa foi apenas uma busca superficial sobre anulação de jogos. Reparem que alguns recorrem ao STJD sem provas, sem fundamentos e até “por arbitragem confusa”. Isso sim é tapetão. Porque arbitragem confusa é uma questão de ponto de vista, uma opinião. Não é um erro de direito, não afeta a regra.

Mas, sem essas informações, torcedores desses e outros clubes insistem em usar alcunhas ofensivas apenas com o Fluminense.

A ignorância os preserva. É o escudo ideal para quem quer atacar.

Ano que vem vai fazer 30 anos que o Flamengo recorreu ao tribunal para levar uma taça para casa. Botafogo e Inter, em 1999, foram ao STJD pedir os pontos da partida contra o São Paulo por escalação irregular de um jogador e modificaram todo o campeonato de 2000. E tantos outros casos de futebol levados à Justiça.

E assim segue o jogo. A imprensa é a memória do brasileiro. E a nossa memória tem sido bem parcial. Nós, amigos, nos lembramos apenas do que eles querem que a gente lembre. A não ser que você saia um pouco da curva. É fundamental que você pesquise, leia e investigue os assuntos. Evite sair por aí repetindo títulos de matérias das quais nem leu.

Quem não é beneficiado com a anulação do jogo reclama do Fluminense. Quem é, aplaude. Todos têm uma opinião, todos sabem falar algo. E nenhum deles sabe ser gigante como o Fluminense.

Saudações tricolores.

 

 

 

 

 

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Mauricio W A Cury - 20/10/2016 às 09h17
do principio ao fim concordo plenamente, belo texto, muito bem contextuado.
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