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    Tricolor desde antes de nascer, Bruno Carril é advogado pós-graduado em Direito Desportivo e especializado em Leis de Incentivo ao Esporte, rockeiro de berço, sócio contribuinte e fundador do MR21
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em foco • Por Bruno Carril • 10 fev 2017
Um novo tempo de renovação e oxigenação que começou (por Bruno Carril - “Esse negócio chamado futebol”)

Se persistiam dúvidas acerca da recém iniciada gestão Abad representar uma ruptura com o modelo de gestão desenvolvido no Fluminense nos últimos seis anos, certamente as mesmas começaram a ser desfeitas na última quinta-feira, dia 02 de fevereiro, durante Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo.

Durante quase três horas, o presidente Abad e o Vice Presidente de Governança, Sandor Hagen, expuseram, com a transparência cabível para a ocasião, a situação financeira do clube, falaram sobre os 30 primeiros dias de gestão, apresentaram um plano de ações e as metas a curto, médio e longo prazo e responderam questionamentos dos conselheiros presentes. Trata-se de uma fantástica iniciativa que não possui precedentes na história recente do clube, coroada com o anúncio da contratação da Ernest & Young, uma Big 4, para diagnosticar as finanças, contratos, operações, estrutura e processos críticos, uma velha demanda dos sócios, tantas vezes solicitada e defendida pelo MR21 – MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO 21 DE JULHO.

Não foi a única informação relevante do dia. O anúncio do acerto com a nova fornecedora de material esportivo, o planejamento para o Centro de Treinamento, o retorno às Laranjeiras em vésperas de jogos importantes, dentre tantos temas tratados, acabaram por receber maior relevância junto à mídia.  

Ao nosso grupo, mais do que a felicidade de vermos algumas velhas demandas atendidas, ficou a satisfação de perceber que, cada vez mais, os termos estabelecidos no acordo que possibilitou a união das candidaturas de Cacá Cardoso e Pedro Abad estão sendo rigorosamente cumpridos. E que, aos poucos, uma significativa parcela do Plano de Gestão tantas vezes defendido pelo MR21 vem sendo colocada em prática.

Neste sentido, cumpre destacar uma clara mudança no antigo modelo de concentração de poder nas mãos do presidente. Pela apresentação, ficou bastante evidente que Abad escuta, e conta com o apoio de toda uma equipe para buscar o melhor para o clube. E que já começa a iniciar um processo para viabilizar uma maior inclusão do sócio do clube no processo de tomada de decisões.

A criação de comissões específicas e a modernização do estatuto do clube são velhas e importantes demandas, que associadas com uma série de medidas que objetivam garantir aos sócios amplo acesso a informações essenciais, tais quais demonstrações financeiras, gestão de contratos, fluxo de caixa e todos os demais dados necessários, poderão acarretar em um processo de profissionalização e transparência, tão ausentes durante toda a gestão Peter Siemsen.

O futebol, pela primeira vez em anos, parece ter um planejamento sólido. Talvez você, amigo tricolor, não concorde com todas as medidas adotadas. Mas é inegável que existe um rumo e um objetivo: realizar uma limpa em um elenco inchado, para abrir espaço financeiro para investimentos no futuro. Tudo isso, associado à necessária mudança de filosofia, na qual o departamento de futebol é tratado como prioridade, mas sem colocar de lado o cuidado com a parte financeira. E, principalmente, com o resgate da cultura vencedora que sempre marcou o clube. Afinal, ninguém pode negar que a dedicação e a vontade são o forte desse time.

A parte financeira, grande Calcanhar de Aquiles do clube, após a desastrosa gestão Siemsen, parece vir sendo cuidadosamente administrada. Inicialmente, com um trabalho de controle da dívida bancária, maldosamente despejada pela antiga gestão para estourar no ano de 2017. Mas com perspectivas futuras de trabalho associado com o Marketing para tentar buscar novos recursos, e de adequação das despesas do clube à sua realidade financeira e ao mercado, de forma a possibilitar que o clube tenha vida mais fácil nos próximos anos.

E por falar em Marketing, é gratificante perceber que o clube finalmente possui planos concretos de investir no setor, focando em estratégias que aproximem o torcedor do clube, e no qual o próprio Fluminense esteja inserido na estratégia de formação do brand equity dos patrocinadores e na cadeia de valor das marcas associadas, algo exaustivamente defendido neste espaço no último ano.

Sem lugar para dúvidas, ainda há muita coisa que precisa ser feita. Algumas com certa urgência, inclusive.

Ainda que o clube tenha anunciado que está finalizando uma completa reestruturação do seu setor de comunicação, é preciso que algumas medidas nesse sentido sejam tomadas com maior celeridade. O trabalho desenvolvido pela comunicação do clube, atualmente, é patético, expõe o torcedor tricolor, e mais prejudica o clube do que aproxima o torcedor de sua grande paixão.

É preciso, ainda, avançar em estratégias para a parte social e para os Esportes Olímpicos. Na parte de governança, é essencial que tenhamos uma organização que possibilite a divisão do clube em Unidades Autônomas de Gestão.

E quanto ao estádio, parabenizamos a iniciativa de realização de estudos de viabilidade para construção de um estádio, mas ressaltamos que nenhuma proposta estará adequada, se não olharmos com carinho para as possibilidades que existem com o Estádio das Laranjeiras.

De toda forma, indubitavelmente, podemos sentir novos ares e uma profunda vontade de acertar. A coragem apresentada pelo presidente, de se colocar à frente de todos os conselheiros, e prestar-se ao papel de ser sabatinado é elogiável e o caminho parece estar sendo traçado da forma correta.

Ao MR21 – MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO 21 DE JULHO, caberá o papel de apoiar as mudanças essenciais que estão sendo colocadas em prática, cobrar que tantas outras medidas necessárias sejam tiradas do papel em breve e ajudar na consecução dos objetivos traçados para essa gestão.

Para nós, fica a certeza de que, mais do que nunca, a verdadeira oposição não consiste em forjar críticas vazias e com pouco ou nenhum fundamento, ou fomentar o ódio. Mas ter a coragem de colocar em prática medidas que estabeleçam uma ruptura com o que vinha sendo feito de forma errônea e inadequada. E nesse ponto, fica a nossa certeza de que o caminho percorrido, e o traçado, levam à direção que sempre cobramos. E não permitiremos desvios.

Ao final desse caminho, o que importa não é ser conhecido por ser crítico ou apoiador. Muito menos bater no peito e se autoproclamar opositor. A única coisa que importa é a grandeza e a perenidade do Fluminense.

*O colunista do Observatório do Fluminense e advogado Bruno Carril é membro fundador do MR21 – Movimento de Renovação 21 de Julho

 

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