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    Tricolor desde antes de nascer, Bruno Carril é advogado pós-graduado em Direito Desportivo e especializado em Leis de Incentivo ao Esporte, rockeiro de berço, sócio contribuinte e fundador do MR21
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em foco • Por Bruno Carril • 10 abr 2017
Um pingo da razoabilidade e sanidade que muitas vezes a paixão nos faz perder (por Bruno Carril - “Esse negócio chamado futebol”)

Prezados Tricolores,

Antes de mais nada, gostaria de dizer que respeito a opinião de todos.

Mas gostaria de deixar a minha:

Eu odeio perder. Seja em videogame, em campeonato de botão, em uma disputa por uma vaga de emprego. Qualquer coisa. Odeio perder. E a derrota é ainda mais dolorosa quando envolve o Fluminense. Ainda mais com um adversário que, com todas as ressalvas, é um rival.

Torci demais pela vitória ontem. Praguejei cada segundo que o horroroso do Frazan tocou na bola. Quase invadi a televisão quando o Marcos Junior perdeu um gol inaceitável para qualquer atleta profissional, de qualquer time do Brasil. Fiquei revoltado com o gol ilegal absurdamente validado e o pênalti claríssimo não marcado. Fiquei ainda mais puto quando o Gatito fez defesas que não condizem com sua história. Ou quando o ataque do Fluminense desperdiçou oportunidades, de acordo com o que ocorre com alguma frequência.

Entretanto, ao apito final, é preciso tentar manter o mínimo de racionalidade. Um pingo da razoabilidade e sanidade que muitas vezes a paixão nos faz perder. E tentar entender a razão de algumas decisões precisarem ser tomadas.

A irracionalidade do regulamento imposto pela Federação e aceito pelos clubes nos coloca na patética situação de o clube ser submetido a quase 50 jogos em um semestre. É insano, para não dizer desumano. E, para que você possa manter a competitividade, é preciso, sim, planejamento.

E, ao chegarmos em abril, estamos vivos na Copa do Brasil (coisa que outros times já não podem mais dizer), levamos uma vantagem boa para o Uruguai na Copa Sul-americana, estamos garantidos em uma semifinal de um campeonato estadual, com a vantagem que nos cabia e, ainda, permanecemos a um empate em casa contra o Brasil de Pelotas para nos classificarmos na Primeira Liga.

Disputamos quatro competições no ano, e permanecemos vivos em todas. E com condições bastante positivas em cada uma delas, sempre com as vantagens que eram possíveis. 

Estamos em abril. Até agora foram três derrotas em todo o que vai de ano. Todas com os reservas em campo. Um cenário bem diferente daquele que os profetas do apocalipse bradavam em pleno Natal ou durante a queima de fogos do Réveillon.

É claro que quero vencer todos os jogos, mas, convenhamos, nenhum time no mundo ganha todas. O Barcelona não ganha o espanhol invicto. No sábado passado perdeu pro Málaga, que é um time do tamanho de um Atlético-GO, se muito. Se muito.

Ainda bem que o Fluminense, dentro dessa insanidade que é o futebol brasileiro e seu calendário, foi capaz de organizar-se ao ponto de poder dar-se ao luxo de correr certos riscos. E quando você corre riscos, tudo pode acontecer.

Há uma semana, fomos felizes. Nossos reservas, por pouco, não ganharam dos titulares do maldito time de regatas de Gávea. Ontem, nem tanto. Perdemos um jogo que poderíamos ter vencido. Não fizemos um grande jogo, mas, de uma forma geral, fomos melhores que o Botafogo. Produzimos mais, e fomos prejudicados por três lances quase seguidos: um gol perdido de forma inaceitável, um pênalti ignorado e um gol irregular absurdamente validado.

Mas, acima de tudo, perdemos um jogo que poderíamos ter perdido. Um jogo que, fora um dinheiro que seria muito bem-vindo, nada representava. Ora, se nem sequer o estadual está valendo muita coisa, o que dirá um turno que, até ano passado, era jogado apenas pelos times pequenos. 

Do que adiantaria ganhar uma Taça Rio agora e perder um ou dois jogadores para a semifinal do Estadual, seja por problemas musculares ou por uma suspensão? Exercício de adivinhação?

Não! Aconteceu em 2012, contra o Boca. Aconteceu na Taça Guanabara com o Scarpa.

Hoje poderíamos estar comemorando uma incrível passagem para a final da superemocionante Taça Rio... E preocupados com a perda de um ou dois jogadores para os próximos jogos. Jogos estes que, sim, serão decisivos. Ou poderia não ter acontecido nada. Mas desgastaríamos um pouco mais a musculatura de jogadores essenciais para o clube e que não possuem substitutos.

Repito: perdemos quando poderíamos perder. Perdemos em um momento em que perder, guardadas as devidas proporções, devolve em ganho esportivo o prejuízo do prêmio perdido.

Uma ode à derrota? De forma alguma. Estou triste. Queria ter vencido. Como todos.

Mas não quero uma vitória de Pirro. Não quero perder tempo chorando por uma batalha pequena com verdadeiras guerras pela frente. Quero olhar pra frente, pois lá existem coisas muito maiores.

E, sim, às vezes somos obrigados a nos sacrificar em algo menor, em nome de algo maior. E esse, na minha visão, é o caso.

Que o Abel siga o planejamento, e que isso nos leve ao título carioca. Que possamos usar toda força que poupamos para garantir uma classificação para as oitavas da Copa do Brasil. Para ganhar a Sul-americana. E, até mesmo, para a Primeira Liga. Pois tudo isso vale MUITO mais que uma Taça Rio. E, caso consigamos, amanhã ninguém se lembrara do que aconteceu ontem.

 

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Erik FKP - 13/04/2017 às 15h20
Concordo com tudo, mas digo ainda mais, Abel errou quando no meio do segundo tempo estando 3x0 Botafogo colocou em campo Richarlyson e Sornoza. Não fazia nenhum sentido expor esses jogadores, resultado perdemos Richarlyson para o jogo contra o Goiás. Era dia de Maranhão e Danilinho. Seria mais fiel a nossa proposta.
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