HOME|EM FOCO|Julio Bueno|O Caso Richarlison e o subdesenvolvimento (por Julio Bueno - “Por um Fluminense perene”)
  • Julio Bueno
    Julio Bueno
    O Engenheiro Julio Bueno, amante da MPB, sambista convicto, passou parte da sua infância e juventude na Glória, um dos bairros mais emblemáticos do Rio de Janeiro. Pai e avô de gerações de Tricolores, leva o DNA do Fluminense no sangue há mais de 10 mil anos
Ver mais colunas
Distribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e Descartáveis
em foco • Por Julio Bueno • 16 jun 2017
O Caso Richarlison e o subdesenvolvimento (por Julio Bueno - “Por um Fluminense perene”)

Os clubes brasileiros precisam entender que a competitividade no futebol possui diferentes dimensões. Desse entendimento cada vez mais dependerá o sucesso ou o fracasso de nossos clubes.

A primeira delas, a mais evidente, e a principal razão da fama do futebol brasileiro, é em economia conhecida como dimensão microeconômica, para dentro dos muros de cada Clube. É a dimensão que todos enxergam. A mais evidente, a que coloca os jogadores em campo. É o produto de vários fatores como condição econômica, formação de atletas, estratégias de jogo, enfim, tudo que aparece para nós torcedores nos 90 minutos em que dura o espetáculo.

Mas há outras dimensões. Há o que se chama competitividade sistêmica, que diz respeito ao ambiente ao qual os clubes estão submetidos. Por exemplo, o calendário nacional, as competições existentes, o padrão das arbitragens. É fundamental que o ambiente regulatório seja coerente com o internacional para que se tenham referências globais no futebol brasileiro.

Mas há ainda uma terceira dimensão, que é a competitividade setorial.

São questões em que todos os clubes, ao invés de serem adversários, deveriam ser claramente aliados. Por exemplo, o estabelecimento de uma estrutura física mínima para a realização dos jogos. Procedimentos comuns para a contratação de profissionais, jogadores e técnicos. A promoção dos espetáculos, enfim uma série de temas em que os clubes têm interesses comuns.

Aliás, poucas são as atividades extracampo em que os clubes deveriam considerar unicamente o seu próprio interesse. No lado de fora do campo, o sentido de corpo entre os clubes faria o futebol brasileiro mais forte, tendo como consequência que os campeonatos seriam cada vez melhores, atraindo mais público e maior interesse na transmissão.

Na medida em que houver um número cada vez maior de clubes competitivos, no sentido de se ampliar as possibilidades de vitória nos campeonatos, o interesse tende a aumentar, gerando mais robustez econômica.

No mundo, os grandes campeonatos, exemplos de entretenimento esportivo, sempre estabelecem uma regra de convivência entre os competidores, que beneficia a todos. Talvez o maior exemplo seja a NBA americana, que estabelece regras para a composição dos elencos, de modo a dar possibilidades semelhantes aos participantes do torneio.

Vale a pena citar a queixa que os clubes alemães fizeram anos atrás à Comissão Europeia, de subsídios implícitos dos governos, local e central, aos clubes espanhóis, especialmente Real Madrid e Barcelona, gerando uma assimetria competitiva nas competições continentais.

O caso Richarlison é a prova cabal do nosso subdesenvolvimento. Imaginem se em algum campeonato em país desenvolvido ocorresse fato semelhante. Na semana do jogo, um clube faz uma oferta de transferência a um atleta do time adversário. Que se recusa a jogar!!! A pena deveria ser, em um país normal, o rebaixamento do Palmeiras. 

Estando o Fluminense em épocas de vacas magras e o Palmeiras, ao contrário, em de vacas gordas, a tentação desmesurada dos empresários do atleta, e a infantilidade do jogador levaram a um constrangimento enorme à Direção do clube e à nossa torcida. O Fluminense é tão grande quanto qualquer outro clube brasileiro. Precisa se fazer respeitar e ser respeitado.

Temos que interromper a tese de que “pau que dá em Chico dá também em Francisco”. Depois da fase Parmalat houve a fase Unimed. Agora é a Crefisa. Amanhã, quem sabe? A interrupção é termos de modo permanente a fase Fluminense e a fase Palmeiras. E repelir atitudes como essa, profissionalizando os clubes e, como consequência, a relação entre eles.  

Já passou da hora do futebol brasileiro entender que para ser rentável e competitivo deve atentar a todas as dimensões da competitividade.

 

VOLTAR PARA EM FOCO
Compartilhe
  • Googlemais
comente
Sandra Monteiro - 17/06/2017 às 22h23
Precisa se fazer respeitar e ser respeitado. Como isto pode acontecer se temos uma Flusócio na Administração, temos juízes que vivem errando contra o Flu, não temos estádio, não temos marketing, não temos fornecedora de materiais, não temos patrocinadores para nossa camisa, não temos time. O que temos de bom é o nosso técnico, que infelizmente não pode fazer milagre com o que tem em mão. O nosso time profissional é sub 20. Não sou contra os meninos, creio que três ou quatro em campo seria suficiente, e não a quantidade que está em campo e no banco. Muitos clubes conseguem jogadores emprestados sem custo e o Flu? A torcida tricolor não é boba. O nosso Departamento Médico também é aquele que entra e não sai. Para se fazer respeitar e ser respeitado precisa mudar muita coisa. ST
Responder
Distribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e Descartáveis
©2017 OBSERVATÓRIO DO FLUMINENSE
Os Woden