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    O Engenheiro Julio Bueno, amante da MPB, sambista convicto, passou parte da sua infância e juventude na Glória, um dos bairros mais emblemáticos do Rio de Janeiro. Pai e avô de gerações de Tricolores, leva o DNA do Fluminense no sangue há mais de 10 mil anos
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em foco • Por Julio Bueno • 11 jul 2017
O sistema defensivo do Fluminense (por Julio Bueno - "Por um Fluminense perene")

Dado o momento dificilíssimo vivido pelo Fluminense, todos hão de concordar que o time está fazendo mais do que se esperaria. Um time formado por jovens, baseado nas nossas divisões de base, e que passa por uma crise financeira inacreditável, dada a propaganda enganosa feita pela Diretoria anterior, tem obtido resultados que não nos têm envergonhado. Somem-se a isso as contusões que o elenco tem sofrido, muito maiores do que o esperado bem como muito mais graves.

Abel, é importante frisar, tem empenhado seu nome e sua experiência a favor do Fluminense. Teria todas as condições de dirigir elencos muito mais caros, mas aceitou um dos maiores desafios da sua vitoriosa carreira como treinador.

Mas, chama a atenção o desempenho dos sistemas de ataque, para o bem, e de defesa, para o mal, do nosso time. Temos o segundo ataque do campeonato, com 21 gols, junto com o disparado líder Corinthians e atrás de um dos melhores times do campeonato, o Grêmio, que balançou as redes por 23 vezes. Em compensação temos o segundo pior sistema defensivo do campeonato. Sofremos incríveis 20 gols, junto com o lanterna do certame, Atlético Goianiense, e melhor apenas que o sofrível Vasco, que tomou 23 gols.

Importante observar que é voz corrente no futebol que bons ataques vencem jogos, mas não vencem campeonatos. O Corinthians tem mostrado uma fantástica defesa que tomou, somente, incríveis 5 gols em 12 jogos.

Tão importante quanto a qualidade dos jogadores de defesa é a forma como o time se defende. Fomos bicampeões brasileiros com Gum e Leandro Euzébio na zaga, tendo em 2012 a defesa menos vazada do campeonato.  Ninguém pode afirmar que a dupla citada era formada por craques extraordinários. Eram beques normais com um sistema que não os expunha. Outro exemplo é o Botafogo. O beque argentino, Carli, é um jogador lento, com poucos recursos. Mas, o sistema defensivo tem sido de tal ordem que ele, desconhecido no futebol argentino, vem tendo um bom desempenho.

Quando se vê o Corinthians e o Império do Mal jogando, que é a segunda defesa menos vazada do campeonato, com justos oito gols tomados, observa-se que assim que é perdida há um ataque incessante a quem está com a bola, em qualquer lugar do campo. O Botafogo tem outro estilo. Marca a partir do seu campo. Mas, nessa área, nenhum jogador adversário tem qualquer liberdade. A marcação é incessante.

Acho que o fundo do poço do sistema defensivo do Fluminense foi o jogo com o Bahia. Embora tenhamos tomado apenas um gol, e o adversário tenha tido poucas oportunidades, mais por falta de qualidade deles do que por mérito nosso, o time foi vergonhosamente dominado. A bola rondou incessantemente a nossa área. A marcação parecia a dos anos 50, quando o Zezé Moreira mandava marcar por zona. Ora, isso está ultrapassado. O futebol moderno exige que a bola seja continuamente atacada. A defesa agora é ativa. A nossa, no último domingo, foi completamente passiva. O gol do Bahia não saiu antes por culpa exclusiva da falta de qualidade dos seus jogadores. Mas, mesmo assim, acabou saindo. A evidência é a passividade dos laterais, que deixavam o cruzamento ser feito, como se o fato de não serem driblados os eximissem de culpa. Lateral moderno não pode deixar cruzar. Essa sintetiza toda a diferença.

Importante dizer que os gols tomados não podem ser creditados à nossa postura ofensiva, que tem sido adequada. Mas, à atitude defensiva completamente anacrônica que temos tido ao longo do campeonato, e que explica os 21 gols tomados.

Com todo o carinho, Abel e Comissão Técnica têm que discutir essa enorme deficiência do time. Assim fazendo podemos surpreender o Brasil com um desempenho inesperadamente positivo. Não corrigindo, será o que Deus quiser.

 

    

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