HOME|EM FOCO|Heleno Sotelino|Ode ao 21 de Julho (por Heleno Sotelino - "Oxigenação e Renovação")
  • Heleno Sotelino
    Heleno Sotelino
    Carioca do Jardim Botânico, advogado, imperiano, membro fundador do MR21 e, acima de tudo, tricolor de coração!
Ver mais colunas
Distribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e Descartáveis
em foco • Por Heleno Sotelino • 21 jul 2017
Ode ao 21 de Julho (por Heleno Sotelino - "Oxigenação e Renovação")

O que significa o dia 21 de julho?

Para todos os tricolores, claro, como não poderia deixar de ser, é bastante significativo, eis que é a data de aniversário da fundação do Fluminense Football Club.

Para mim, talvez seja o dia, ou pelo menos um dos dias, mais importante da história da humanidade, sem qualquer exagero.

Por quê?

É o dia em que eu acordo cantando o hino, tomo o café emocionado, almoço em companhia de recordações, janto com sonhos de infância e vou dormir com o sentimento de que mais um ano anuncia a perenidade desse sangue tricolor que flui em nossas veias e artérias.

Na verdade, é o dia mais tricolor do ano, eis que, para mim, todos os dias do ano são tricolores. 

Há exatos 115 anos, Oscar Cox, que voltara um ano antes da Suíça onde aprendera um novo jogo, secretariava uma reunião presidida por Manoel Rios e aí fundava o FLUMINENSE FOOTBALL CLUB.

Há exatos 34 anos eu me tornava sócio contribuinte do FLUMINENSE FOOTBALL CLUB, sendo que, em abril de 1991 comprava o meu título de sócio proprietário mantido até hoje e, com certeza, o será até o fim dos meus dias.

Claro que a data escolhida não fora coincidência e sim proposital. Era uma homenagem que eu fazia a mim mesmo por ter escolhido tão bem minha paixão e que seria eterna.

Era a consagração de uma simbiose.

Uma confissão a fazer.

Não sou tricolor nato e hereditário, pois meu pai não era tricolor, era mineiro, cruzeirense de quatro costados e que, chegando ao Rio, adotou o Botafogo, como quase toda minha família, talvez até por influência dela ou pelas glórias de ver Garrincha, Quarentinha e companhia.    Nascido no Jardim Botânico, parte da família oriunda e morando no bairro vizinho, só não vesti a camisa alvinegra porque o destino assim não quis.

Aliás, não só o destino. Eu mesmo não quis. Com três anos de idade, meu pai queria tirar fotos minhas com o uniforme do Botafogo, tendo eu, na rabugice dos meus três anos, me recusado, batido pé literalmente, chorado e não aceitado vestir aquela camisa que não gostava, até hoje não sabendo explicar o porquê.

Ou melhor, explico sim. Na minha mente infantil, já existia uma paixão ainda oculta no meu coraçãozinho.

Costumo contar aos meus amigos, que riem muito dessa história, sobre como me tornei Fluminense. Até hoje, me pedem para contar a “história do mingau”.

Não sei ao certo se com cinco ou seis anos, comendo meu mingauzinho de Maizena, à época um tradicional lanche de tarde, tive um “insight” e, do nada, exclamei para minha família, um tanto quanto surpresa:

- Vou ser Fluminense!

E, serenamente, continuei a comer meu mingau, mesmo com o mundo paralisado ao meu lado, como se nada houvesse acontecido.

E como já tinha dito antes, nasci outra vez.

Meu pai, atônico, mas democrata, respeitou minha escolha e começou a compartilhar escudos, camisas, adesivos, recortes de jornal e coisas do gênero que falavam do Fluminense.   Posso dizer, com muito orgulho, que meu pai passou a ser um cúmplice da minha paixão pelo tricolor.

Embora sem saber com precisão, meu cúmplice me levou pela primeira vez a um jogo de futebol, exatamente nas Laranjeiras, num jogo contra o Madureira, quando vencemos por 3 x 2, com o destaque para Escurinho, autor de um dos gols e que foi considerado o melhor jogador em campo.

Acho até que meu pai, depois de me acompanhar tanto em jogos do Fluminense, ao morrer já era mais tricolor do que botafoguense.

E o tempo se passou e com ele aumentava o amor. Alegrias inesquecíveis, lágrimas, emoções,  alegria... Orgulho!

O orgulho de ser tricolor.  

Lembro de lágrimas encobertas pela chuva em 73, as emoções de 69, 84, 2010, 2012, o grande Mickey em 70 que me fez cantar muito o samba de Paulinho da Viola… 71, 75, 76, João de Deus em 80, a loucura do gol de Assis em 83, Paulinho em 85, emoção com o gol de Roger em Recife e com o gol de outro Roger em Florianópolis. A suprema emoção do gol de barriga.

E a alegria e o orgulho de ver Cafuringa ensinar futebol a Beckenbauer e Cia. no Maracanã. O orgulho de chegar hoje na nossa Sala de Troféus e ver a Taça Olímpica, a Teresa Herrera, o Torneio de Paris duas vezes, a Copa Kirin e o supra sumo do orgulho de ver a Taça Rio e poder dizer: CAMPEÃO MUNDIAL DE 1952, enfim, a virtude de ser e de sentir o que é ser tricolor.

No cinema da minha cabeça,  filmes inesquecíveis... Gol do Washington contra o São Paulo, o elástico de Rivellino contra o Vasco, o gol com a mão de Wilton no meu primeiro Fla-Flu, o Careca jogando um saco de talco no goleiro Jurandir do Bonsucesso em Teixeira de Castro, o drible incrível de Conca em cima de Wallace, repetindo o que fizera um ano antes contra o Vitória, o prazer de ver Marinho Chagas, de ver Gerson, de ver Romário, do goleiraço Wendell com a camisa do Fluminense, mas sem que chegassem à idolatria de Félix, Galhardo, Flávio, Samarone, Manfrini, Rivelino, Doval, Edinho, a arte de Paulo César Caju, Conca, Deco e Fred. 

Se no campo festas inesquecíveis da torcida, fora dele grandes festas, bailes de gala, o “vert-blanc-rouge”, réveillons, minhas primeiras aulas de tênis com o Professor José Fernandes, a Vanguarda Tricolor, o basquete, o antigo vôlei que agora revive, dias de glória na natação, no tênis de mesa, no tiro, o grande time montado por Hortência e que servia de consolo para a nossa má fase de 1998 e que fez a grande festa do título brasileiro no Tijuca T.C., enfim,   grandes recordações e até mesmo verdadeiras loucuras, como levar uma televisão para uma igreja em um casamento, do qual era padrinho, esquecer a cerimônia e vibrar na porta com o gol do Antonio Carlos em 2005. 

Parece que foi ontem. E eu estava lá.

Mas também houve o supremo luto, a suprema dor de 2008. Tristeza sem fim. As sucessivas quedas dos anos 90, a dor do rebaixamento de 2013, a inesquecível derrota para o Santos em 95, enfim. Dores que todos os entes queridos também possuem e nos transmitem.

Mas aí está o Fluminense.

115 anos e um verdadeiro garoto. Cheio de vitalidade e pronto para mais toda a eternidade de glórias.

E cada vez mais tenho certeza de que fiz a escolha certa.

Como disse antes, não sou tricolor porque tive a influência de ninguém. Sou tricolor porque meu coração assim o quis.

E hoje,  dentro desse coração gigante que é o Fluminense, e me orgulho de pertencer ao MR 21, grupo que hoje é uma família.Uma família tricolor.

E é por isso que eu canto, que eu visto esse manto, orgulho de ser tricolor.

Parabéns, Fluminense, eterno amor!

O advogado Heleno Sotelino, colunista do Observatório do Fluminense, é o 1º Secretário da Mesa do Conselho Administrativo do Fluminense e um dos Coordenadores do MR21 – Movimento de Renovação 21 de Julho

 

VOLTAR PARA EM FOCO
Compartilhe
  • Googlemais
comente
Distribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e DescartáveisDistribuidora de Produtos Alimentícios e Descartáveis
©2017 OBSERVATÓRIO DO FLUMINENSE
Os Woden