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    Eduardo de Moraes
    Eduardo de Moraes é advogado criminal, tricolor de várias gerações, iniciando sua paixão nas arquibancadas das Laranjeiras sempre na companhia do seu saudoso pai, Evaristo de Moraes. Integrante do Flu2050, ocupou, nas gestões anteriores, cargos como Vice-Presidente e Diretor Jurídico.
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em foco • Por Eduardo de Moraes • 27 jul 2017
Três zagueiros? A solução? (por Eduardo de Moraes - “A voz das Laranjeiras”)

O artigo será dividido em três temas: esquema tático do Fluminense; influência externa somente nos jogos do Flamengo e homenagem a Telê Santana.

A Universidad de Quito não é referência, mas podemos extrair algumas conclusões sob o ponto de vista tático confrontando com os números desta temporada. Nosso primeiro tempo ontem foi horroroso. Assim como em vários jogos desse ano. Fomos pressionados pelos fracos equatorianos, levamos um gol e poderíamos ter tomado mais. No intervalo, a inovação: três zagueiros.

Visivelmente, o time mudou, se ajustou. Sem adentrar na qualidade técnica dos nossos zagueiros, o fato é que fechamos lá atrás, passamos a ganhar os cruzamentos defensivos e nossos contra-ataques, com Richarlison, foram perigosíssimos.

Gostei.

Os números mostram que temos a dupla de ataque mais efetiva do Brasil (Dourado com 23 gols e Richarlison com 15 gols). Por outro lado, temos uma defesa deficiente, em especial, nas jogadas aéreas. Dos 60 gols sofridos, 27 nasceram em bolas levantadas na área tricolor, sendo que, nos últimos cinco jogos, o Flu sofreu quatro gols em cobrança de escanteio.

Jogando com três zagueiros, teremos mais um marcador nos cruzamentos, o sistema defensivo estará mais protegido, os contra-ataques ficarão mortais e o recém-contratado Marlon (lateral esquerdo) terá maior liberdade para apoiar. Posso estar enganado, mas naquela arrancada em 2009 em que fugimos do rebaixamento, surgindo o “time de guerreiros”, atuamos com três zagueiros.

Entendo que seja uma ótima opção tática que poderá ser utilizada em muitos jogos, principalmente atuando fora do Rio e, em casa, contra times de nível superior. No entanto, tendo como adversário o Atlético-GO, por exemplo, não haverá necessidade de três zagueiros.

* * *

É uma vergonha o que estamos presenciando.

O Flamengo é o único clube do Brasil beneficiado com a influência externa na arbitragem, em lances capitais. Não esqueçamos que, hoje, na regra de futebol, qualquer influência externa é proibida.

Ontem foi mais um episódio lamentável envolvendo o clube de remo. O árbitro marcou pênalti a favor do Santos. O comentarista da TV Globo, enfaticamente, afirmou que não houve a penalidade máxima. Em seguida, coincidentemente, o quarto árbitro (posicionado no meio do campo, ou seja, mais distante do lance do que o próprio juiz) fala para o assoprador de apito que não teria havido o pênalti e mais uma vez (lembram do jogo contra o Avaí? E contra o Fluminense no ano passado?) é desfeita a marcação. A sequência é óbvia, indisfarçável.

É a Globo apitando os jogos do clube de remo. É a Globo mudando o resultado das partidas a favor dos urubus. É ilegal tal procedimento. É desigual. É recorrente. É revoltante.

Fica a sugestão: deveriam todos – repita-se, todos – os clubes da série A se unir e protestar. Fazer um manifesto contra a flagrante roubalheira.

Enfim, é o comentarista de arbitragem da Globo quem apita os jogos deles.

* * *

Ontem foi aniversário do saudoso Telê. Tricolor de coração. Campeão como jogador e treinador do Flu. Abaixo, primoroso texto de Mario Filho, em 1956, para o nosso Telê, o Fio de Esperança:

Telê trouxe uma nova medida de tempo para o futebol. É, de algum modo, o ponteiro dos segundos, o que não para. Os outros são, quando são, o ponteiro dos minutos. Há, até, os que não são ponteiros: são os cinco, os dez, os vinte, os trinta, os sessenta, os números que os ponteiros atravessam, girando. Ponteiro de segundos é Telê. E vocês, que têm relógio, vão compreender melhor por que se descobre Telê, todos os anos. Para ver o ponteiro dos segundos, a gente precisa ser um pouco médico, que todos somos, contar as pulsações.

Eu quero dizer que Telê está no jogo os noventa minutos ou mais, com os descontos. A atenção dele não se desvia da bola. Mesmo a bola caindo no fosso do Maracanã, isto é, desaparecendo da vista da gente. Telê, então, fica olhando o garoto que segura aquela espécie de apanhador de borboletas para ir buscar a bola.

Para Telê é importante. O quíper (goleiro) vai receber a bola, vai colocá-la sobre a linha da pequena área, talvez seja o quíper quem bate o tiro de meta, talvez seja o beque. Telê tem de estar preparado para receber aquela bola ou para roubá-la. Ele é um ladrão dessas bolas sem destino certo, um descuidista dentro do campo. Bola sem dono é de Telê. Quem o chama de ladrão é o Benício Ferreira Filho. E o termo é bom porque quando o quíper do outro lado, ou o beque, bate o tiro de meta, é para dá-la a um jogador do time dele e não a Telê. Mas Telê já está à espera da bola. Há jogadores que olham no momento do tiro de meta, para ver a direção da bola. Telê estava olhando antes. A bola do tiro de meta, a bola do out-side, a bola que espirra, a bola que foge, a bola que toma efeito, a bola que para, a bola que anda, a bola que salta.

Se um jogador espera um passe e não se antecipa, está sem bola, Telê apareceu, para muitos não se sabe de onde. Mas se alguém, em vez de olhar para a bola, olhar para Telê, que é quase a mesma coisa, não tem de que se espantar. Telê está sempre se colocando, mudando de posição, e de olho na bola, ela esteja perto ou longe. Mas não se olha Telê, olha-se a bola, embora se saiba que Telê está no palco, digo no campo. Mas podia dizer palco. Dão a deixa e ele aparece. Só que, no futebol, dão muito mais deixas do que no palco. É, porém, difícil ser Telê, pegar todas as deixas. Sobretudo porque não se reserva para Telê o papel principal. Ele é que toma e com a naturalidade de quem não está tomando nada. De quem está apenas representando o papel que lhe foi destinado.

Abraços e ST.

 

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