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    Mônica Cury
    Mônica Cury é jornalista pós-graduada em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte. Mineira de Juiz de Fora, curte mochilar pelo mundo e carrega a bandeira tricolor para onde quer que vá. Joga futebol, se arrisca no futevôlei, mas é craque mesmo na arte de torcer para o Fluminense.
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em foco • Por Mônica Cury • 07 ago 2017
Para Abel Braga, com amor (por Mônica Cury - "Um sentimento Verde, Branco e Grená")

Este é só mais um texto para ele. Depois do ocorrido, muitos quiseram externar a sua gratidão e orgulho pelo técnico mais do que tricolor, Abel Braga. Normal. Quando existe sentimento, fica difícil não colocar para fora de alguma forma. Espero que o nosso comandante entenda as inúmeras homenagens e nunca se canse delas. Assista, leia e se emocione com todas.

Essas palavras aqui, como já disse, são apenas mais uma mensagem de amor de tantas que ele tem recebido.

Eu queria poder dizer a ele que essa dor vai passar. Mas não vai. Ela vai se transformar. Em algo bom, ou algo degradante, vai depender apenas dele mesmo. E pelo pouco que conheço de Abel Braga, ela vai se tornar algo grandiosamente belo.

É difícil sim, precisa ser gigante. Precisa ter fé na vida. Precisa ser alguém como ele.

Eu queria poder dizer a ele que não tem que ser forte sempre, todos os dias. Cair faz parte do jogo. Se sentir fraco e solitário é normal. Se permita sentir a perda como algo ruim. E nessa hora, estaremos aqui. Para gritar seu nome, te dar motivos, e carregar você no colo. Triste não é ir ao chão. Triste é não ter ninguém para te dar a mão e te fazer levantar. Você tem milhões. A torcida do Fluminense está pronta para te erguer seja quantas vezes forem necessárias.

Eu queria poder dizer a ele que a partir daqui a vida não vai mais lhe trazer más notícias. Provavelmente vai. É assim com todo mundo. A tristeza existe para que a alegria seja ainda mais valorizada. Te vi pular e comemorar aquele primeiro gol contra o Atlético-GO com um sorriso genuíno, talvez porque a dor tenha sido predominante nos últimos dias. Um pingo de felicidade é um mar inteiro quando estamos tristes. Nós – seus jogadores e sua torcida - sempre te daremos esse pingo.

Eu queria poder te dar um “feliz dia dos pais” sem te fazer chorar, mas sei que nessa data vai sempre ter um buraco no seu peito. Vai faltar um abraço. E não há como substituir abraços.

Isso não é uma notícia ruim. Saber que ninguém nunca vai te dar um abraço como ele te dava, é lindo. Sentir falta é lindo. A saudade é incrivelmente dolorosa e linda. Significa que a presença foi boa, que existiu o encontro. Para não ter saudade nunca, para não sentir falta, basta não ter encontros. Quem é que quer viver sem isso?

Mas a data continua sendo sua também, Abelão. Porque filhos você tem aos montes.

Quando você diz nas entrevistas “meus jogadores”, a gente entende a expressão muito mais como contrato amoroso do que como contrato de trabalho. São seus mesmo. Os caras correm por você, brigam por você, dão carrinho por você.

Acho que você já pode aderir à expressão “minha torcida”. Porque nós, torcedores do Fluminense, também somos torcedores de Abel Braga. No futebol e na vida.

A gente paga ingresso para torcer e cantar, mas por você, doamos um minuto de extrema ausência de som. O mundo do futebol inteiro ouviu o nosso silêncio, e a nossa total abundância de fé, pensamentos positivos, orações, carinho e amor.

Como faz para comprar camisa do técnico do nosso time? Acho que essa possibilidade não existe porque ninguém nunca teve esse desejo. Hoje, a torcida INTEIRA do Fluminense quer uma camisa de Abel Braga. A gente quer desfilar pelas ruas com uma peça de roupa que indique, de alguma forma, o quanto você pode contar com a gente. O quanto te amamos. E o quanto a sua dor se transferiu um pouco para todos nós.

E todas as homenagens que tentamos fazer – mesmo as menores – querem dizer uma única coisa: se você cair dez vezes, vamos te levantar onze.

Você é um cara abençoado, Abel.

Nós te desejamos paz, esperança e vigor. Estamos contigo.

O seu luto tem três cores e milhares de corações.

 

 

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Elias - 09/08/2017 às 11h39
Monica,eu tive o privilégio de ver,pessoalmente,a emoção que o minuto de silêncio transbordou em seus olhos.Sim,eu tive esse privilégio e foi um momento único,só compartilhado por mim e por seu irmão.Beiljos do "tiozão".
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Manoel Mendonça - 07/08/2017 às 22h42
Abel.Voce perdeu um filho mas ganhou em troca muitos amigos.A vida nos reserva coisas boas e mas, faz parte,mas é nas tristes que somos testados em nossas convicções, firmesas, forças, e então surgem pessoas, grupos, amigos, que nos abastecem com seus carinhos, respeito e então fica claro para o nosso íntimo o quanto somos queridos, respeitados, amados.
O ciclo do seu filho na terra terminou,apenas isto, faz parte de uma existência que de antemão ele já previra quando encarnou.Ficará a saudade mas existirá o consolo do dever cumprido como pai, amigo, companheiro e tudo mais que a vida nos impõe.
Fique com Deus e força que tudo se acalmará.
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Flavio Chammas - 07/08/2017 às 13h55
Parabéns Monica, transmitiu com muita propriedade os sentimentos
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