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    Eduardo de Moraes
    Eduardo de Moraes é advogado criminal, tricolor de várias gerações, iniciando sua paixão nas arquibancadas das Laranjeiras sempre na companhia do seu saudoso pai, Evaristo de Moraes. Integrante do Flu2050, ocupou, nas gestões anteriores, cargos como Vice-Presidente e Diretor Jurídico.
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em foco • Por Eduardo de Moraes • 22 dez 2017
Flu Retro. Reestruturação (por Eduardo de Moraes - "A voz das Laranjeiras")

2017 acabou. Sem título e sem danos graves. Não fomos rebaixados. Mas é isso que queremos? Comemorar todo ano o não rebaixamento? Disputarmos sempre contra Avaí, Vitória, Coritiba, América-MG esse “título”? Será que ano que vem o meu texto será o mesmo?

Foi o primeiro ano do Pedro Abad. Assumiu o Fluminense com uma dívida gigantesca (saliento que outros clubes grandes também apresentam dívidas consideráveis, inclusive, o campeão brasileiro Corinthians). E entendo que foi o ano da reestruturação. Difícil muitos tricolores compreenderem que somente voltaremos a ganhar títulos se houver um ajuste financeiro, um realinhamento na governança, modernizando e profissionalizando. Ano de sacrifício, de contenção de despesas, de gerenciamento com sobriedade e equilíbrio. Pés no chão. Assim aconteceu com o clube de remo da Gávea. Todos se lembram. E, hoje, eles ostentam boa saúde financeira.

E peço que deixemos de lado a política. Nossos inimigos estão lá fora. Tenho percebido, dentro do Clube e nas redes sociais, uma automutilação tricolor. Infelizmente, a política invadiu e quebrou os nossos vitrais e as maiores vítimas somos nós mesmos. Cito uma conhecida frase, no meio jurídico, que se aplica à espécie: “Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a Justiça se retira por alguma porta” (Guizot).

Não podemos permitir que a política, movida por anseios pessoais, penetre nas Laranjeiras, com cada um querendo o seu espaço, o seu lote e o Futebol enfraquecido, definhando, saindo pelo portão da garagem da Pinheiro Machado. Estamos perdendo para nós. E os rivais agradecem. Vamos nos unir. O nosso partido tem que ser Fluminense Football Club. Criticar e exigir mudanças é fundamental. A dialética é salutar. Mas sempre em prol do Tricolor.

Deixando de lado este assunto chato, e falando sobre futebol, começamos o ano animado, com um futebol bonito, empolgante e um técnico competente no comando. Só não tínhamos percebido um detalhe: era campeonato estadual, adversários fraquíssimos.

No campeonato brasileiro, a ficha caiu. Percebemos que não formamos um elenco qualificado e que o time principal era (e é) limitado. Sistema defensivo fraco. Do goleiro ao lateral esquerdo. Quantos gols sofremos de cruzamento? Inúmeros. Por outro lado, o setor ofensivo rendia. Richarlison, Wellington Silva, Henrique Dourado, municiados por Scarpa e Sornoza.

No decorrer do ano, vieram as baixas. Nosso principal atacante vendido para Inglaterra. Várias lesões: Scarpa, Sornoza, Douglas e por aí vai. Queda de produção de Wellington Silva e do Orejuela. Contratações mal feitas (Romarinho, Robinho, por exemplo), exceto a do Richard. E o Fluminense desceu a ladeira.

Não caímos. Mas também não levamos qualquer caneco. Eliminados da Sul-Americana de modo doloroso, quando vencíamos o rival por 3 x 1. Até que colocaram o Romarinho e o final todos sabem...

Ano difícil para o nosso Abelão. Que tragédia. Inversão da ordem natural. E que força do nosso treinador. Nossa torcida, como sempre, fez bonito: minuto de silêncio mais silencioso da história. Estamos juntos.

Encerrando o tema futebol, ficou evidenciado que precisamos nos desfazer de vários jogadores: Lucas, Orejuela (já foi), Nogueira, Marquinho, Gum, Leo Pelé, Romarinho, Pierre, Robinho (eu emprestaria) e Marlon (eu devolveria). E contratação com qualidade urge. Urge!

Fora das quatro linhas, foi formada uma equipe competente de profissionais para reverter a crise financeira e impulsionarmos. O presidente compreendeu, principalmente no final do ano, que a profissionalização e a gestão compartilhada são essenciais para manter um clube sadio. Marcos Vinicius Freire contratado como diretor geral executivo. Agora, Paulo Autuori. Gol de placa. As recentes e excelentes entrevistas de Diogo Bueno (vice-presidente financeiro) e do Autuori me deram ânimo.

Sobre a questão dos ingressos, houve uma falha. Claro que não se praticou crime, pois o presidente e outros funcionários não sabiam que os ingressos cedidos às torcidas organizadas seriam comercializados. Agiram de boa fé. No entanto, não foi respeitado o TAC (termo de ajustamento de conduta) firmado com o Ministério Público. Como disse, gestão compartilhada é fundamental. O presidente precisa dividir responsabilidade. Isso é gestão moderna. Decisões colegiadas mesmo no regime presidencialista. Entendo também que o clube pecou (e ainda peca) na comunicação. Que tal colocar uma pessoa experiente para preencher essa lacuna? Assim, o Fluminense deixará de ser um “clube vendedor” e se transformará em “vencedor”.

Para o ano que vem – já finalizando e voltando ao futebol –, precisamos de um ídolo. Talvez o Fred, apesar da idade. Gostaria de ler sugestões de vocês. Precisamos de alguém para lotar o estádio, vender camisa, aumentar a torcida e alegrar os pequenos tricolores. Necessitamos também de dois laterais e uma zaga confiável. Em relação ao Scarpa, gosto dele. Mas se ele quiser sair, vá. Adeus. Se Wellington Silva também quiser sair, vá. Adeus.

E espero que, em 2018, os atletas tenham vontade e orgulho de vestir a camisa do Fluminense. Que esses Roger Guedes da vida fiquem no passado. Desejo não mais ler infelizes comentários, como o do PVC (“Ninguém quer jogar no Fluminense”). Que no próximo ano todos queiram jogar no Tricolor para vestir faixa de campeão. Somos os melhores. Nense!

Ótimo Natal e excelente passagem de ano.

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Marcus Luiz - 23/12/2017 às 16h12
Parabéns pela visão correta e despida de "paixão" política.
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Fernando Moraes - 23/12/2017 às 13h47
Desculpe, nem deu para continuar depois de nos comparar financeiramente ao Corinthians (?!?) Achas mesmo que é a mesma coisa... ? O problema não são as dívidas, mas as receitas! E o Flu nisso dificilmente algum dia conseguirá se igualar.
O risco do Flu ocupar o meio para o fim da tabela é muito grande pois o futebol brasileiro (TVs, patrocinadoras, Governo, Caixa e mídias) se estruturou todo para dar receita exclusivamente na proporção dos tamanhos das torcidas e tamanhos que tais clubes ocupam em seus respectivos estados (em segundo plano).
A família Marinho (Globo) já decretou que seu interesse é exclusivamente o Corínthians e o Flamengo, com vistas a ampliação do campeonato interclubes e vê-los enfrentando os grandes europeus. Simples assim.
O Flu precisará de muito tempo e "paciência" de sua torcida para se reestruturar e ser competitivo "sem" depender tanto de receita para isso. É muito mais fácil para os times de menor pressão e menos tradição, já acostumados. Ou o Corínthians que além de todas as benesses já estruturou o seu futebol para funcionar sem estrelas desde que com os técnicos que já conhecem a filosofia de jogo. A torcida do Flu tem que se preparar para ajudar o clube e não, ficar esperneando exigindo "criatividade", se comparando a clubes com histórico totalmente diferente, para exigir resultados expressivos imediatos...
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