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    Carioca, Engenheiro, Tricolor desde sempre, fã incondicional do futebol. Frequenta os estádios desde 1959, aos cinco anos. De Laranjeiras, para o mundo.
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em foco • Por Edgard Nascimento Neto • 04 dez 2017
MEMÓRIA TRICOLOR: Careca, talco e vitória em Teixeira de Castro (por Edgard Nascimento - "Testemunha da história")

Há quinze anos, em 2 de dezembro, Guilhermino Santos, o Careca, nosso aclamado torcedor, deixava a arquibancada da vida.

Faço este pequeno relato em sua memória.

Em 1985, ano do Tricampeonato, o Fluminense foi jogar contra o Bonsucesso, numa tarde de quarta-feira.

Mais de quatro mil torcedores foram ver o time atuar, inclusive eu, quando teria, naquele dia, que entregar um relatório do mês anterior.

As filas, nas poucas bilheterias do pequeno estádio, preocupavam um pouco, mas não diminuíam o entusiasmo da torcida, animada para incentivar o time, na busca pelos dois pontos. Sim, naquela época, a vitória valia dois pontos. Um grande amigo, Celso Azis, também estava otimista ao comprarmos nossos ingressos.

Com a preliminar de juniores já no fim, Careca percorria toda a estreita arquibancada, coberto de talco até a alma Tricolor. A todo instante, ele espalhava o produto por onde passasse, bradando "Nense!", grito entoado, logicamente, por muitos ao redor.

Um torcedor, com uma pastinha de couro, reclamou: "Careca, cuidado com esse talco, que eu ainda vou voltar para o escritório!". Um garoto, com uniforme escolar, rindo, gritou: "Pô, Careca, você sujou minha camisa!".

Sem Assis e Tato, Nelsinho, o técnico, escalara Renê e Paulinho, respectivamente, em seus lugares. Devido ao gramado irregular e à retranca adotada pela equipe leopoldinense, nosso time tentava, sem êxito, penetrar na defesa contrária. No adversário, apenas o veterano ponta-direita Paulinho Carioca dava algum trabalho, às turras com Branco, tapas e cusparadas à parte. Briga boa! 

Em jogada de área, Renê chocou-se involuntariamente com o goleiro adversário, que ficou longo tempo caído, sendo "atendido" próximo à linha de fundo, junto ao alambrado. A essa altura, a "cera" irritava a todos e o fraco árbitro era alvo de palavrões enfurecidos, apenas superados pelos impropérios dirigidos ao arqueiro rubro-anil.

De repente, surgiu o Careca, que com agilidade e velocidade espantosas, arremessou um saco de talco, que espalhou-se ao atingir a tela de arame, atingindo em cheio o goleiro, cobrindo-lhe o uniforme e a cabeleira "black power". Uma grande nuvem formou-se, tudo isso provocando gargalhadas na torcida, que cantou: "Careca, Careca..." 

Valeu a pressão, pois logo depois o jogo era reiniciado.

Já no segundo tempo, Renê abriu o placar e em seguida, Branco e um adversário foram expulsos. A partida ficou mais aberta, e um pênalti, sofrido por Paulinho, ainda foi cobrado e perdido por Washington.

Vitória suada, contagem mínima, no grito da torcida.

Valeu, Careca!

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Na manhã seguinte, na casa de meus pais, passei rapidamente para tomar café. Meu pai, logo me perguntou se eu teria ido trabalhar na tarde anterior e eu disse-lhe que não. Aí, sorrindo, ele apontou para a primeira página do Jornal do Brasil - ele era assinante - com uma grande foto que mostrava o goleiro caído, envolto na nuvem de talco.

Na foto, "sobre" a cabeça do massagista de frente, eu aparecia na arquibancada, na torcida.

 

TOQUE SUTIL: Imagem eternizada

O goleiro caído, a nuvem de talco, o alambrado e a torcida, tudo está lá: Jornal do Brasil - Edição Nº 150 - Data: 5/9/1985

 

 

 

 

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