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    José Roberto Pires
    José Roberto Pires é carioca, servidor da área de fiscalização do Banco Central, pai de dois filhos e projeto de triatleta. Tricolor de arquibancada, é conselheiro do clube desde 2011 e ex-participante da Flusócio.
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em foco • Por José Roberto Pires • 20 fev 2018
E a tal da “transparência”? (por José Roberto Pires - “Fatos e versões Tricolores”)

Depois da avalanche de notícias ruins que marcou o fim de 2017 e o início de 2018, a sequência de vitórias e a boa atuação na goleada diante do Salgueiro tinham tudo para dar uma acalmada no ambiente. Mas não. A politicagem no Flu não dá mais trégua. Há uma parte da oposição realmente decidida a não dar a menor chance ao clube de seguir um planejamento sem sobressaltos, condição sine qua non para que o clube supere as adversidades e faça uma temporada digna.

Já que, por agora, o alarmismo do “rebaixamento certo” não encontra tanto eco, apontam a artilharia para a suposta “falta de transparência” da gestão. E vão pras redes, sempre os mesmos, twittando, retwittando ou indo pras comunidades do Facebook: Cadê os R$ 4 milhões do Diego Souza? Claro, a tais manifestações se juntam fakes ou marginais para, aproveitando a deixa, caluniar e ofender dirigentes. Ou mesmo seguir a tática de milícia da intimidação e da ameaça.

Mas aí fica a pergunta: Será que o José Roberto é contra a transparência? Será que ele quer encobrir alguma coisa? Nada disso! Até pela minha profissão, sou radicalmente a favor da transparência. Vou além. Acho que boa parte dos nossos problemas teria sido evitada com controles adequados e transparência nas transações e contratos, sobretudo do nosso departamento de futebol. Não é mais admissível que um gestor seja pego de surpresa com uma cobrança de agente de jogador, com valores em aberto de compra de direitos federativos ou com qualquer coisa que afete o apertado fluxo de caixa.

É imperativo que departamentos como o financeiro e o jurídico tenham acesso irrestrito a todas as informações e a qualquer documento do departamento de futebol. E, logicamente, também o Conselho Fiscal. Tenho convicção de que a “caixa-preta” que existia quando nosso futebol era praticamente “terceirizado” na era Unimed, e que infelizmente não foi aberta por pura falta de interesse de quem teve a caneta do futebol em 2015 e 2016, está na origem do aperto que estamos passando.

Mas aí vai a minha diferença de visão em relação à “transparência” que virou a artilharia do momento nas redes. Se, por um lado, julgo fundamental que os poderes do clube tenham total acesso às informações, por outro, creio que o clube deve ser extremamente criterioso nas informações que são passadas ao público em geral. O FFC é uma entidade privada, com concorrentes diretos, prontos pra tirar proveito de qualquer informação adicional. E com uma mídia extremamente hostil pronta para explorar qualquer informação que fragilize o clube. Fora questões de sigilo comercial, onde as contrapartes normalmente não têm qualquer interesse em ver detalhes de contratos expostos na mídia. E, muitas vezes, têm cláusulas expressas de sigilo.

Trazendo para a questão do momento, Diego Souza, da qual sei apenas o que está na mídia. Parece claro que é uma questão ainda em discussão, que pode inclusive gerar um litígio judicial. Óbvio que, assim sendo, nem o Presidente nem nenhum dirigente deve dar declarações públicas sobre o assunto, o que só serviria como arma para a outra parte num eventual litígio. Quando a questão for efetivamente resolvida, pro bem ou pro mal, aí sim acho importante que o máximo de detalhes sejam expostos para que os sócios possam fazer o adequado julgamento sobre erros, acertos e, eventualmente, apontar culpados.

Ficar vociferando nas redes, por enquanto, “cadê os R$ 4 milhões?”, me desculpem, é coisa de quem só quer tumultuar e não está nem um pouco preocupado de verdade com transparência. Fico curioso para saber se esses cobravam essa transparência sobre os impactos para o clube nas negociações conduzidas pela Unimed. Ou então para saber que serviços foram prestados pelo ex-VP, hoje cabo eleitoral da oposição, para cobrar do clube mais de R$ 400 mil.

Acredito que o clube evoluiu muito na gestão Abad em termos de controles, governança e transparência, entendida como deve ser. Tivemos um orçamento aprovado antes do início do ano. Até onde sei, o futebol deixou de ser uma “caixa-preta” e as informações hoje são acessadas sem restrições pelo financeiro, pelo jurídico e pelo Conselho Fiscal. Para evoluir mais, creio que precisamos de um ambiente político menos hostil e mais responsável com o bem maior que todos buscamos: o FFC. Que questões internas possam ser tratadas sem medo de vazamentos, seja no Conselho Diretor ou no Conselho Deliberativo. Afinal, não dá para ser transparente num ambiente de guerra fria ou deflagrada, com alguém pronto para vazamentos seletivos que possam ser usados politicamente.

O FFC já tem inimigos demais. Vamos usar nossas energias para superar nossos rivais e enfrentar uma mídia que está doida para ver o Fluminense dividido. Passamos por um momento difícil onde temos o desafio de recuperar a autoestima e a união da nossa torcida. Isso só é possível com um mínimo de paz e ordem. Como debater questões importantes num Conselho Deliberativo que é invadido por mascarados? Vamos pedir transparência sim. Mas que tal criar um ambiente para que essa transparência sirva para fazer o clube evoluir, e não para dar armas a quem quer o caos?

Saudações Tricolores!

 

 

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Alexandre Hardman - 21/08/2018 às 19h38
Aproveitando que você é fiscal do BC eu me contentaria em ver a Flusocio esclarecer a venda do W. Nem com dinheiro passando por contas pessoais de dirigentes em paraísos fiscais e como um balanço aonde consta essa tentativa de fraude pode ser aprovado. Gostaria também que esclarecessem se mesmo com as dezenas de vendas de jogadores na Gestão Peter e Abad se esse foi mesmo o único caso.
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Delley - 23/02/2018 às 22h41
Ok, concordo até o penúltimo paragrafo, quando vc diz que ".. o clube evoluiu muito em termos de controles...." ?? como citar isso sem recordar dos casos: Levi, Scarpa, Rescisões, Diego Souza, etc, que causaram milhões de prejuízo, sem que Nenhuma atitude realmente concreta fosse anunciada para punir / banir estes "mal feitos".
Desculpa Zé Roberto, mas... "Ah que isso, eles estão descontrolados"...
abço, ST.
Em tempo, também sou um SemBlog da Flusócio.
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Flavio Nicolai Chammas - 20/02/2018 às 15h37
Ola Jose Roberto, obrigado pela coluna. Sou sócio futebol 18, em apoio ao trabalho da Flusocio. Acompanho e posto no blog, abandonado ultimamente, mas entendo o momento de extrema politicagem, que infelizmente nada ajuda ao clube. Mas a sede de poder de alguns se sobrepõem ao raciocínio, em detrimento da instituição. Mas o Flu é maior que todos, e com o apoio de tricolores que querem o bem maior , chegaremos lá.Um abraço e saudações tricolores.
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