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Debate • Fonte: Blog do Savioli - O'Tricolor.com • 20 abr 2017
Temos que aprender a sofrer (Blog do Savioli - O'Tricolor)

Essa história de ter que aprender a sofrer me remete ao ano de 2012. Por outras razões, o Fluminense jogava algumas partidas entrincheirado em sua intermediária e nós levávamos cada sufoco espetacular. Mesmo assim, com um elenco de fazer inveja, fomos campeões brasileiros sem termos sido molestados. No início de 2013, a lógica se inverteu e quem sofria eram os adversários. O Fluminense exercia uma marcação implacável, roubava a bola e o repertório consistia em contra-ataques rápidos ou posse de bola inteligente, sempre buscando espaços para irromper por entre as linhas adversárias.

O nosso time atual é um mistão. Pressiona muito, rouba muito a bola, mas não consegue definir as jogadas rapidamente e quando não tenta definir roda a bola de forma pouco produtiva.

A razão para isso me parece óbvia. Está faltando aproximação no meio de campo, o que se torna mais perigoso quando o adversário adianta a marcação e obriga nossos defensores a saírem no chutão.

Essa lógica de jogo se opõe ao que acontecia no começo do ano e alguém, não lembro quem, fez um comentário interessante, que era relacionado a uma possível entrada do Marcos Júnior, que não guardaria posição em uma das laterais do campo, propiciando com isso espaços para o avanço dos volantes pelos corredores laterais. Mais uma vez me fez lembrar do início do ano, quando roubávamos a bola, mas decidíamos rapidamente as jogadas criando muitas oportunidades de gol, com Douglas explorando muito o lado esquerdo do campo.

É uma equação meio complicada, porque não temos Gustavo Scarpa, mas é também importante observar que Abel jamais procurou um substituto para fazer a mesma função, que era a de ser um homem a mais de criação sem guardar posição fixa do lado, de forma que nosso time rodava muito e até Dourado tinha uma movimentação que tirava completamente a referência da zaga, ao contrário do que Pedro fez ontem durante boa parte do primeiro tempo, ajudando a engessar nosso esquema ofensivo.

Pedro, que é um rapaz inteligente, percebeu isso, e já no final do primeiro tempo passou a sair na intermediária para ajudar na criação das jogadas, tirando a referência da marcação e melhorando nossa presença no meio de campo. O segundo tempo seguiu essa toada e acabamos vencendo com certa tranquilidade um jogo que começava a parecer assaz ameaçador.

A entrada de Calazans foi providencial, já que Leo fazia muito bem a movimentação ofensiva e marcava bem, mas era inócuo quando ficava no mano a mano com o lateral do Goiás. No primeiro cruzamento, Calazans colocou na cabeça de Henrique, mas não me parece que Abel tirará Leo, porque esse é muito melhor que Calazans na marcação.

Temos um jogo muito dependente dos laterais, o que acho um conceito ultrapassado, sobretudo se temos dois homens de lado. No meio, ao contrário, Orejuela avança pouco e isso compromete o trabalho de Sornoza e Douglas na criação, pois não sobra espaço para pensar, razão pela qual o recuo de Pedro é importante, até porque Pedro sabe jogar bola e armar jogadas, enquanto é completamente inútil parado entre os zagueiros.

O resumo é que estamos nas oitavas de final, mas sábado tem o Vasco. Se fosse um mês atrás, eu diria que o Vasco não venceria nem colocando quatro árbitros e doze bandeiras em campo. Hoje eu já não tenho essa certeza. O que me consola é que o Fluminense tem a vantagem do empate e poderá tentar explorar a velocidade de Wellington e Richarlison nos contra-ataques. Isso pode ser mortal para o Vasco, muito embora nenhum dos dois tenha feito boa partida ontem, mesmo quando tiveram espaços após o gol do Goiás.

É a mais pura verdade que o Goiás se entrincheirou nas imediações de sua grande área e isso dificulta o trabalho de qualquer equipe, mas mesmo assim o Fluminense não mostrou volume ofensivo, não criou jogadas, o que é preocupante, já que viveremos muitas situações parecidas, como foi contra o Liverpool e o Resende, lá na Taça Guanabara.

O jogo com o Vasco nos é favorável. O Vasco terá que buscar o domínio, o Fluminense não o concede, desarma muito e poderá decidir rapidamente a partida. O problema é se não decidir.

Enfim, a essa altura não dá para mudar mais nada. Vamos com o que temos e é possível que com o que temos conquistemos o Campeonato Estadual, mas vamos precisar de mais que isso para as jornadas que se seguirão. O meu palpite é que Abel precisa procurar reencontrar aquela dinâmica ofensiva do início do ano. Não basta não deixar o adversário jogar com marcação dos homens de frente, porque isso tem prazo de validade.

É preciso não deixar o adversário jogar também com a posse de bola e ameaçá-lo quando a tem. O Fluminense está pecando nesses dois aspectos.

É preciso observar que fomos salvos pelos zagueiros em duas bolas cruzadas na área e até o gol de Pedro surgiu de uma falha de Wellington, que também entrou numa rotina de altos e baixos. É muito pouco para um time que criava jogadas em profusão, a partir de uma variedade de ações que inutilizava a marcação adversária.

Talvez eu esteja exigente demais, porém, se assim o é, é porque esse time, esse treinador e esse elenco já ofereceram muito mais.

No mais, todo mundo no Maracanã no sábado, porque contra a aberração ética da Colina é guerra e lugar de guerreiro é na batalha.

Saudações Tricolores!

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