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Artigos • Por Paulo-Roberto Andel - Panorama Tricolor - Foto: Lucas Merçon - Fluminense F.C. • 16 abr 2018
Mais uma semana daquelas... (por Paulo-Roberto Andel - Panorama Tricolor)

Primeiro e definitivo ponto: a derrota de ontem foi injusta, especialmente pela atuação tricolor no segundo tempo, ou pelo menos em boa parte dele. E jogamos melhor do que na vitória sobre o modestíssimo Potosí. Isso não apaga a falha capital da defesa no segundo gol corintiano, não apaga os vários problemas do time, não apaga o inferno externo que cada derrota proporciona ao entorno do Fluminense, mas foi injusta.

Dito isso, algumas considerações bem humildes de quem já tem estrada e não entrou no ônibus agora, nem precisa bancar de donatário de arquibancada porque já tem 40 anos nela.

Fico assustado em refletir que nossa última atuação impecável, de gala, de fazer a torcida inteira aplaudir de pé ao fim do jogo, de lavar a alma, foi há quatro anos e… numa derrota, com o time comandado pelo Cristóvão. Quatro anos. Nenhum time resiste a tais efeitos. Curiosamente, foi a única vez em que o Flu colocou sozinho mais de 50 mil torcedores neste trambolhão que hoje ocupa o lugar do Maracanã.

De lá para cá, a verdade é que fracassamos. Encolhemos. Mas, se pensarmos bem, mesmo com toda a gratidão a Celso Barros – a quem sempre respeitarei, mas sempre discordarei do “modelo” -, salvo momentos esparsos e os dois grandes títulos brasileiros, mais o vice-campeonato da Libertadores – SIM! – raras foram as vezes em que nos impusemos como protagonistas.

Vem aí mais uma semana daquelas: o silêncio sepulcral de quem lidera, o poder sendo mais importante do que qualquer coisa – e isso explica tanto ódio pretaportê – e quem sente o maior impacto é o torcedor “comum” (entre aspas mesmo, porque todos são comuns, mas sempre tem algum pateta que se acha acima dos demais). Ele, comum, tem dois caminhos: ou embarca na onda de cólera, o que é péssimo, ou até pior – é tomado pelo torpor, pelo cansaço e pelo distanciamento gradual, até que venha o pior dos sentimentos, a chamada indiferença.

Há quatro anos não somos capazes de colocar 50 mil pessoas no trambolhão, que tem metrô, ônibus, táxi, uber, trem, estacionamento e o diabo a quatro. E tem gente que acha que, rifando as Laranjeiras, vai colocar 40 mil contra a Chapecoense ou o Vitória, por mero exemplo, no cafundó da Barra às sete e meia de quarta-feira – ou dez da noite. Diria meu amigo Bruno Saraceni: “É muita vontade de acreditar…”. Aí vão seis mil no jogo contra o Potosí e o meu querido Abel – não o coloquei em dois livros meus à toa – veio dizer que a torcida não precisa ir. Quando ele assumiu o time em 2005, a ira da torcida era muito maior, o Flu beirava a lanterna do carioca…

Temos um time com muita disposição, mas claramente limitado, que precisará de luta permanente para não desesperar ainda mais a torcida.

Precisamos de reforços sérios, honestos.

E precisamos recuperar a paixão de vez, o que não será conseguido com declarações estapafúrdias de ódio, nem ordens do tipo “Faça a sua parte!”. Não. Futebol é outra coisa. Todos queremos vencer sempre, mas futebol não se resume exclusivamente a títulos e ídolos, é mais do que isso, muito mais. É sensação de pertencimento, de causa, de reunião e isso hoje é completamente fraturado no Fluminense, seja pelos inúmeros equívocos da direção, a péssima politicagem dos derrotados eleitorais e o mar poluído de informações e debates sobre o clube.

Quer um conselho sincero, amigo(a) tricolor? Dê um bico na bunda da internet nesta semana. Se for o caso, ignore até este PANORAMA – o Fluminense é mais importante do que qualquer um de nós. A recusa é válida. O Flu já tem notícias ruins demais para que elas sejam potencializadas. E lá vem uma semana daquelas… ódio, rancor, panfletagem, críticas – algumas muito justas e outras, pfffff.  – e aquele silêncio tétrico que bem poderia ser quebrado com um mísero vídeo semanal no Facebook oficial do clube, falando diretamente com o torcedor. Trazer a torcida para perto, em vez de repeli-la. Ah, sim: tenho amigos no clube e fiz N sugestões a respeito, de graça – eu não faço acordo de emprego com candidato nenhum, nem faço campanha enrustida por debaixo da opinião travestida. Todas foram solenemente ignoradas. Enfim, não deixa de ser curioso que eu seja bem-vindo e útil para falar do Fluminense na Band, na CNT, no SBT, na Rádio Globo, na Band News, na TV Escola e até na Rádio MEC – pantheon da literatura nacional – mas não no próprio clube… Oh, ironia do destino…

No próximo domingo, o jogo contra o Cruzeiro toma ares de insólita decisão, mesmo sendo na segunda rodada de 38 partidas. Motivo: qualquer resultado que não seja a vitória trará mais caldeirões ferventes ao inferno tricolor permanente. Jogo mais do que importante.

Sem trazer o torcedor de volta para a arquibancada e o sócio para o clube, não há arrogância que resista, nem internamente e nem na zona mista de apedrejamento diário. O resultado desses quatro últimos anos, especialmente a pré-guerra mundial tricolor iniciada a partir do fim de 2016, só serviu para afastar o Fluminense de seu principal patrimônio: a torcida. A mesma que segurou as pontas e impediu a extinção do Flu nos piores momentos de sua história, com presença e atitude.

Encerro a coluna como comecei: a derrota em Itaquera foi injusta. Isso pode significar muito pouco em termos da atual conjuntura tricolor, mas é fato. Mesmo vencendo o Cruzeiro – e acredito nesta possibilidade -, o Fluminense precisa de muito mais do que isso para catequizar um sentimento coletivo que, há muito, vem sendo demolido ora pelo campo, ora por tricolores mesmo. Nem precisamos mais da Flapress para isso.

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Estou de saco absolutamente cheio da política geral do clube e de todos os seus vértices, mesmo sabendo que ela é importante e necessária. Mas não posso deixar de reproduzir uma piada que me mandaram ontem: “Paulo, veja pelo lado positivo: se teve mesmo uma debandada da gestão, pelo menos agora vai ter a chance de uma oposição de verdade e propositiva”. Faz sentido.

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No próximo sábado, 21, às 11 horas, vai ao ar minha participação no programa “Conversa com o Autor” na Rádio MEC, apresentado pela jornalista Katy Navarro, ao lado da minha amiga e ídola Elika Takimoto. Lá falo sobre meu livro “Cenas do Centro do Rio II”, prefaciado pela própria Elika e posfaciado pelo apresentador Ernesto Xavier. Mais perto, o PANORAMA divulga. Espero vocês pela latinha e pelo smartphone também.

Panorama Tricolor

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