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Artigos • Por João Garcez - blog Terno e Gravatinha - Foto: Lucas Merçon - Fluminense F.C. • 05 dez 2018
O símbolo da sobrevivência (por João Garcez - blog Terno e Gravatinha)

Não é exagero dizer que o pênalti defendido por Júlio César contra o América-MG não apenas salvou o Fluminense da Série B do Campeonato Brasileiro, como, algo bem mais além, também da insolvência.

Já chafurdado em dívidas, o Fluminense, sem as gordas cotas de TV destinadas aos clubes da elite nacional, mergulharia numa crise sem precedentes em sua história.

Mais grave até do que a que viveu nos anos 1990, quando desceu ao purgatório, embora num momento em que ainda dispunha de bons parceiros, como a mundialmente conhecida Adidas, fornecedora alemã de uniformes, e, num segundo momento, a Unimed.

Além disso, sua dívida estava a léguas de chegar à casa do quase impagável meio bilhão de reais.

Tal como o Vasco, que escapou de seu quarto rebaixamento desde 2008, o Fluminense, não tivesse se segurado, correria risco elevado de repetir o Coritiba, que caiu em dezembro passado e não conseguiu voltar à Série A neste 2018, ano seguinte ao descenso.

Sabidamente, o Coxa não está entre os 12 gigantes do país – é, no máximo, considerada uma agremiação média, com todo o respeito que ela merece.

Pois Flu e Vasco, tivessem sucumbido estritamente nesta ocasião em que se discutiu a reformulação de contrato com a TV, estariam seriamente ameaçados, embora não num primeiro momento, de também verem seu status de clube grande decair.

O goleiro Júlio César, ao defender a cobrança de Luan – como também outras duas que pareciam ter endereço certo –, salvou, portanto, o Fluminense disso tudo.

Tal como um grande herói, proporcionou uma espécie de sobrevida ao clube.

Aliviados, Abad e companhia devem muito a ele.

Eu não pensaria duas vezes em renovar o seu contrato, iniciando pelo goleirão e a laureada revelação Pedro a reformulação do elenco.

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Em nota, a Flusócio vangloriou-se do risível 12º lugar do Fluminense no Brasileiro, alegando ter sido a melhor colocação do clube nas últimas quatro temporadas, algo que tratei com ironia na coluna passada.

Ainda em sua defesa, comparou a posição de 2018 à de outros anos em que o clube contava com o aporte financeiro da Unimed e que também brigou contra o rebaixamento.

O texto, desavergonhado, só tem uma serventia: irritar ainda mais o já impaciente torcedor tricolor.

Em tempo: ou este grupo político, numa espécie de mea-culpa, vem a público reconhecer os atropelos que cometeu nas últimas temporadas (a aprovação das contas da gestão passada pelo Conselho Fiscal foi um absurdo) ou atravessará um 2019 ainda mais pressionado do que neste ano.

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Justiça seja feita: àqueles que dizem não ter havido merecimento do Fluminense sua permanência na Série A, é preciso lembrar que o campeonato é feito de 38 rodadas, e não somente das oito derradeiras, quando, aí sim, o time, pelas razões políticas e financeiras conhecidas, teve desempenho tétrico.

Até o mês passado, quando o Brasileiro já contornava a última curva, o Fluminense jamais havia deixado de ocupar a primeira metade da tabela, alternando a sua posição entre o oitavo e o décimo lugar.

Sua colocação final, portanto, décimo-segundo, é compatível com o desempenho da equipe no retrospecto geral.

Tal como a vaga na Copa Sul-Americana, que beliscou.

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Vai-e-vem do mercado.

Quem aguenta tanta especulação?

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